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O Autismo e o Espelho: entenda o que é o autismo e como lidar com crianças com TEA

Por Janaína Spolidorio - Publicado em 09/04/19

O autismo, também chamado de TEA ( Transtorno do Espectro Autista, é um transtorno do desenvolvimento que compromete habilidades de comunicação e sociais. Sendo um transtorno extremamente complexo, tem grandes variações de um autista para outro. A princípio, enquadra-se o autista em quatro níveis diferentes:

  • ASPERGER: tipo mais leve de autismo. Costuma ter uma inteligência acima da média em alguns aspectos e apresenta uma obsessão.
  • INVASIVO: mais grave que o Asperger, porém mais leve que o Transtorno Autista. Possui dificuldade de interação, menor competência linguística e dificuldade de interação social.
  • TRANSTORNO AUTISTA: Relações sociais, cognição e linguística são altamente afetadas neste caso. Os comportamentos repetitivos são mais fortes.
  • DESINTEGRATIVO DE INFÂNCIA: mais grave e menos comum que os demais, este transtorno aparece entre 2 e 4 anos de idade. Antes disso, a criança tem um desenvolvimento normal. Quando aparece, a criança perde as habilidades intelectuais, linguísticas e sociais.

Embora cada nível autista tenha suas próprias características, eles parecem muitas vezes viver em um mundo a parte. Independentemente do grau de distanciamento social, sempre há um refugo pessoal para eles, é uma necessidade do transtorno.

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Não é difícil ver comportamentos como chacoalhar as mãos ou balançar-se em autistas. Nestes momentos é quando acontece um escape da realidade. Podem durar horas ou segundos.

Para entender melhor o que acontece, imagine que está em um mundo paralelo ao real. Entre você e o mundo real existe um obstáculo. Imagine que você consegue ver o que se passa no mundo paralelo a você por meio de um espelho. Você vê tudo o que acontece, mas seu mundo é do outro lado do espelho, então nem sempre você consegue interagir.

Aquele espelho é o ponto de conexão entre você e todas as outras pessoas que vivem do outro lado.

O espelho representa aqui a barreira imaginária que todo autista tem em relação a muitas dificuldades que parecem estranhas às pessoas neurotípicas, ou que se enquadram na sociedade como normais. Alguns autistas interagem mais com o outro lado do espelho e outros menos, mas o espelho está sempre presente.

Por viver neste universo paralelo que facilitamos aqui como dois mundos separados por um espelho, o autista tem dificuldade em aceitar o toque, especialmente de pessoas estranhas a ele. Há casos diferentes, claro, que são os hiposensitivos, ou seja, autistas que gostam de tocar. Mesmo assim, grande parte dos indivíduos dentro do transtorno não se sentem à vontade com o toque.

Para o autista o toque é algo que precisa ter um tipo de permissão entre pessoas, por isso depende muito do relacionamento que tem com a outra pessoa. Não significa que ele não goste do toque, apenas que ele é seletivo com ele! Toques bruscos ou não esperados podem até mesmo fazê-lo se sentir agredido, provocando reações de recuo, nas quais imediatamente o autista retorna ao seu mundo próprio.

Voltando ao paralelo que foi feito com o espelho, é como se ele estivesse dentro do espelho e pudesse fazer maior contato com algumas pessoas que passam do outro lado do espelho.

Antes de abordar um autista procure sempre respeitar uma certa distância caso não tenha intimidade.

O barulho é um ponto interessante. Dependendo do grau de concentração do autista em seu “mundo do espelho”, como chamamos aqui, ele consegue se distanciar do barulho do ambiente.

Quando um ambiente está com muito barulho, este barulho interfere demais no universo próprio do autista. Muitas vezes ele está fazendo algo ou pensando em alguma coisa e entra em um ambiente barulhento.

Por estimular de forma estrema o sentido da audição, provoca um desequilíbrio grande no autista, que perde a capacidade de pensar naquele momento. O barulho interfere em seu raciocínio e pode provocar, inclusive, crises. Ao mundo fora do espelho parecerá que ele está tendo um surto ou que ele está passando mal.

Os neurotípicos podem ajudar neste caso, conversando com o autista, distraindo-o do barulho. É preciso, contudo, conseguir chamar a atenção dele para sua voz, para que ele consiga se “soltar” do barulho que o prende.

Os autistas são muito visuais. A imagem é algo fácil de compreender e muitas vezes, dependendo do grau de autismo, um grande facilitador da comunicação. Em casos mais graves do transtorno usa-se, inclusive, um livro com imagens, para que o autista possa indicar o que ele quer ou precisa por meio dos desenhos.

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Autistas mais leves, como o Asperger, conseguem usar o visual ao seu favor, organizando informações de estudo, por exemplo, de uma forma que muitas pessoas acham diferente e muito mais prática. Esta capacidade os ajuda em seus estudos e dão até mesmo a impressão de uma maior inteligência, mas na verdade é uma característica do nível do transtorno.

Muitas vezes os autistas podem parecer indivíduos apáticos, sem emoções ou reações a diversos estímulos ou situações. Na verdade, eles possuem sim as emoções, mas elas ficam geralmente do seu lado próprio do espelho, ou seja, em seu mundo pessoal.

Para o autista é difícil interpretar as emoções de outras pessoas, especialmente as expressas pelos olhos, já que grande parte dos autistas tem dificuldade em olhar diretamente nos olhos, talvez exatamente por esse motivo! Quanto mais desconhecida for a pessoa, mais difícil fica para o autista identificar a emoção.

Quando as pessoas são mais próximas, ele consegue identificar um padrão de comportamento e por ele decifrar melhor as emoções e o que a pessoa espera do autista. Isso não quer dizer que ele compreenda a emoção integralmente.

Para ajudar, sempre que o autista parecer indiferente ao que o neurotípico está sentindo, é preciso que a pessoa fale e não que demonstre o sentimento. A partir desta comunicação oral é que o autista saberá como se comportar diante do que a pessoa sente.

Crises: porquê acontecem e como lidar

Há autistas que sofrem crises ou surtos de comportamento. Eles podem se morder, ir para um canto e começar a pular, os comportamentos durante surtos são os mais variados.

O importante no caso de crises é descobrir o gatilho dela.

Claro que pode ser interromper algo que o autista esteja gostando de fazer, como por exemplo tirá-lo do parquinho. Ainda assim, o maior índice de crises acontece por causa de outras pessoas.

Voltando ao universo dos espelhos, imagine que o autista está observando uma cena em seu espelho e as pessoas do outro lado fazem algo errado ou que o autista considera inaceitável. É o mesmo que acontece quando você assiste uma novela ou um filme e fica injuriado com um dos personagens! A diferença é que ele sabe que está acontecendo no mundo real, mas como não é uma situação dele, ele não consegue interagir. Desta forma, ele se sente incapaz de “consertar” a situação e tem a crise.

Como o autista vive tanto no mundo social quanto no dele próprio, sendo que dependendo do caso ele pode ter maior ou menor participação no real, é preciso que ele aprenda sobre o mundo real para poder fazer maior parte dele.

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O autista aprende por exemplos, por explicações que lhe dão. É preciso mostrar como se faz as coisas, pedir que ele faça em seguida. Alguns autistas devem ter uma tarefa por vez, com comandos simples, para poder internalizar o que você quer que ele faça.

Observar as pessoas é algo que ele faz bem. A partir desta observação, estimule-o a aprender como as pessoas se comportam nas situações. Algumas coisas serão mais simples de aprender e outras mais complexas. O autista é bom em traçar paralelos entre comportamentos de forma natural. Incentive-o a comparar para poder estabelecer esses paralelos, a aprendizagem será mais fácil desta forma para ele.

Há muitas outras formas de estimulá-lo e dependem do nível de autismo. No caso dos Asperger, muitos são tidos até mesmo como superdotados ou muito inteligentes, porque costumam ter uma fixação e fazem coisas extraordinárias para aprender mais sobre ela. Mesmo assim, um autista excelente no campo de matemática pode ser mediano no campo de linguagem, por exemplo. As habilidades matemáticas irão, de certa forma, ajudar a ir bem em outras matérias, mas nada irá superar o campo de fixação que ele possui.

O autismo é um mundo que parece estar à parte do nosso e a cada dia aparecem novidades sobre este universo, tão fantástico e incompreendido. A observação é o que mais está ao nosso favor para entender este mundo e ele tem muito a oferecer para o nosso também. É preciso estar aberto para poder enxergar o lado dele do espelho e se surpreender com o que você poderá encontrar!


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Sobre Janaína Spolidorio:
Designer de atividades pedagógicas, formada em Letras, com pós-graduação em consciência fonológica e tecnologias aplicadas à educação e MBA em Marketing Digital. Ela atua no segmento educacional há mais de 20 anos e atualmente desenvolve materiais pedagógicos digitais que complementam o ensino dos professores em sala de aula, proporcionando uma melhor aprendizagem por parte dos alunos e atua como influenciadora digital na formação dos profissionais ligados à área de educação.
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Atenção: Todas as informações são de responsabilidade dos organizadores do evento e estão sujeitas a modificações sem prévio aviso. As informações foram checadas pela equipe de reportagem do São Paulo para crianças em Abril de 2019. Antes de sair de casa, confirme os dados com o destino, para evitar imprevistos

Crédito das imagens: Divulgação/Janaina Espolidório

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