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“Há uma tragédia silenciosa em nossas casas”: viral faz alerta aos pais e bomba na internet

Por Victoria Prooday - Publicado em 26/03/19

Um soco no estômago de quem tem filhos: assim pode ser definido o viral que tomou conta da internet nas últimas semanas e que está sendo compartilhado intensamente nas redes sociais e no whatsapp. Certamente já chegou no grupo da sua família ou das mães/pais da escola o texto “Há uma tragédia silenciosa em nossas casas”. O artigo é incrível mas não é novo, foi publicado em maio de 2018 pela terapeuta ocupacional canadense Victoria Prooday, que tem clínica em Toronto, e fala sobre como a maneira que os pais lidam com as crianças atualmente está criando uma geração de crianças com transtornos psicológicos, psiquiátricos e depressivos.

Em tempos de tragédias como a que aconteceu em Suzano e com virais como a Momo e Baleia Azul aparecendo toda hora, não dá mais para evitar: temos que falar sobre isso.

Ela dá vinte recomendações para mudar esse cenário alterando hábitos simples  em casa. “Este artigo foi lido por mais de 20 milhões de pessoas. Eu sei que muitas pessoas vão escolher não dar atenção para o que estou alertando neste artigo, mas seus filhos precisam que você não ignore esta mensagem”, alerta Victoria.

Confira abaixo o artigo original de Victoria Prooday, publicado em seu blog, com as vinte dicas de ouro que ela dá para criar crianças saudáveis e felizes. Conta pra gente: qual dica você achou mais valiosa? Qual você já faz em casa e qual não consegue fazer de jeito nenhum?

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Há uma tragédia silenciosa em nossas casas

Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Ao longo dos anos no meu trabalho como terapeuta com centenas de crianças e famílias eu tenho testemunhado esta tragédia acontecer diante dos meus olhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador!

Se você conversar com professores e profissionais de educação e do segmento infantil nos últimos 15 anos, vai ouvir deles as mesmas preocupações que eu levanto aqui.

Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas. As estatísticas revelam que:

– 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
– Houve um aumento de 43% no TDAH;
– Houve um aumento de 37% na depressão em adolescentes;
– Houve um aumento de 200% na taxa de suicídio entre crianças de 10 a 14 anos.

Quantas evidências ainda precisamos para acordar?  O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?

Não, o “aumento de diagnósticos isolados” não é a resposta.
Não, “eles nasceram assim” não é a resposta.
Não, “é tudo culpa da escola” não é a resposta.

Sim, é doloroso admitir, mas em muitos casos, nós, os pais, somos as respostas para muitos desses conflitos que as crianças enfrentam hoje.

Foi provado cientificamente que o cérebro tem a capacidade de se readaptar ao seu entorno. Infelizmente, no mundo em que vivemos e com o jeito que exercemos a maternidade e paternidade hoje, estamos reformatando o cérebro deles em uma direção errada e contribuindo para os desafios emocionais e psicológicos que as nossas crianças enfrentam hoje.

Sim, sempre houve e sempre teremos crianças que nascem com descapacidades e apesar dos maiores esforços de seus pais, essas crianças continuarão a ter muitas dificuldades para lidar com a vida. Não estou falando desse grupo de crianças aqui.

Eu estou falando sobre todos os outros para os quais os desafios são moldados por fatores externos que os pais, em suas melhores intenções, sem querer acabam gerando para seus filhos. Como tenho visto ao longo dos anos no meu trabalho, no momento que os pais percebem isso e mudam suas perspectivas e modo de agir e de ser pais, essas crianças mudam também.

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O que estamos fazendo de errado? As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como:

  • pais emocionalmente disponíveis
  • limites claramente definidos
  • responsabilidades
  • nutrição equilibrada e sono adequado
  • Se movimentar e exercitar, especialmente ao ar livre
  • Brincar usando a imaginação e a criatividade,  com mais interação social, brincar com brinquedos e jogos não estruturados
  • Principalmente: dar espaço para o tédio.

Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com:

  • pais digitalmente distraídos;
  • pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras;
  • um sentido de direito, em vez de um sentido de responsabilidades, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por obtê-lo;
  • sono inadequado e nutrição desequilibrada;
  • um estilo de vida sedentário;
  • estimulação sem fim, babás tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.

Podemos imaginar como é possível criar uma geração saudável nesse ambiente tóxico? Não há atalhos para a paternidade e maternidade, não podemos enganar a natureza humana.

Como podemos ver, o desfecho dessa história é devastador.  Nossas crianças pagam o preço por essa infância desbalanceada com o seu próprio bem estar emocional.

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O que fazer?

Se queremos que nossos filhos cresçam e se tornem indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar para a realidade e voltar ao básico. Ainda é possível! Eu sei porque centenas de meus pacientes enxergam mudanças positivas no estado emocional de seus filhos em poucas semanas e em alguns casos em poucos dias, implementando estas 20 recomendações:

  1. Defina limites e lembre-se de que você é Pai e Mãe, e não amigo dos seus filhos. Você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
  2. Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam.
  3. Fornecer alimentos nutritivos e limitar os lanches e fast food.
  4. Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
  5. Desfrute diariamente de um jantar familiar diário sem smartphones, tablets, televisão ou tecnologia para distrair as crianças.
  6. Jogue jogos de tabuleiro em família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
  7. Dê a seus filhos tarefas em casa de acordo com sua idade, como arrumar suas camas, dobrar a roupa, arrumar brinquedos, pendurar roupas, colocar a mesa, lavar louça, aspirar a casa, cuidar do cachorro, etc.
  8. Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente em um quarto livre de aparatos tecnológicos. Os horários são ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
  9. Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
  10. Não faça nem carregue a mochila escolar de seus filhos, não leve para a escola a lição de casa ou a lancheira que eles esqueceram, não descasque as bananas para uma criança quando ela já pode fazer isso sozinha. Ensine a eles como fazer em vez de fazer por eles.
  11. Ensine-os a esperar pelo que querem e a ter paciência.
  12. Deixe que sintam tédio, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta.
  13. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
  14. Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade. Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
  15. Ajude seus filhos a criar uma “Kit de primeiros socorros para momentos de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas e sem ter o que fazer.
  16. Estar emocionalmente disponível para se conectar com seus filhos e ensinar a eles como se controlar, se acalmar e outras habilidades sociais importantes para a vida em sociedade.
  17. Desligue os seus celulares à noite até a hora de as crianças irem para a cama para evitar a distração digital.
  18. Seja o coach emocional dos seus filhos. Seja o treinador emocional deles. Ensine-os a reconhecer suas emoções e a lidar com elas da melhor maneira, como a raiva e a frustração.
  19. Ensine gentileza e dê o exemplo. Ensine-os a cumprimentar as pessoas, a dar a vez, a compartilhar, dividir e ter empatia, como se portar na mesa e conversar com as pessoas, a reconhecer seu erro e se desculpar.
  20. Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque e role no chão com seus filhos. O celular estará sempre do mesmo tamanho, seus filhos só serão pequenos agora.

Precisamos fazer mudanças nas vidas de nossas crianças antes que uma geração inteira de crianças esteja comprometida e seja dependente de medicação. Ainda não é tarde. Mas em breve… vai ser.

Traduzido do artigo original de Victoria Prooday, “The silent tragedy affecting today’s children”.

Observação: este texto circulou na internet atribuído psiquiatra espanhol Dr. Luís Rojas Marcos, professor de Psiquiatria na Universidade de Nova York, mas o verdadeiro autor do texto é a terapeuta canadense Victoria Prooday.

Sobre Victoria Prooday:
Terapeuta ocupacional e psicoterapeuta, mestre em ciências na terapia ocupacional pela Faculdade de Medicina da Universidade de Toronto, no Canadá, ela é fundadora e diretora de uma clinica multidiscilplinar para crianças e seus pais. Educadora e palestrante internacionalmente conhecida, tem um blog onde fala sobre o que é ser pai hoje e o impacto das tecnologias e do estilo de vida atual na infância e no sistema nervoso infantil.
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Sobre Victoria Prooday:
Terapeuta ocupacional e psicoterapeuta, mestre em ciências na terapia ocupacional pela Faculdade de Medicina da Universidade de Toronto, no Canadá, ela é fundadora e diretora de uma clinica multidiscilplinar para crianças e seus pais. Educadora e palestrante internacionalmente conhecida, tem um blog onde fala sobre o que é ser pai hoje e o impacto das tecnologias e do estilo de vida atual na infância e no sistema nervoso infantil.
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Atenção: Todas as informações são de responsabilidade dos organizadores do evento e estão sujeitas a modificações sem prévio aviso. As informações foram checadas pela equipe de reportagem do São Paulo para crianças em Março de 2019. Antes de sair de casa, confirme os dados com o destino, para evitar imprevistos

Crédito das imagens: Divulgacão/vprooday

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