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Seu filho é folgado? Entenda porque disciplina pode ajudar pais e educadores a preparar a criança para o mundo

Por Rabino Samy Pinto - Publicado em 09/08/18

Hoje em dia cresce o número de palestrantes e oradores que querem trazer receitas para solucionar um problema cada vez mais frequente nos lares: colocar disciplina em nossas crianças, em nossos filhos. Mas ao invés de se buscar fórmulas mágicas para resolver essa questão, o melhor seria encontrar a fonte dessa indisciplina.

Um bom caminho que pais e a própria sociedade devem seguir é repensar sobre o que seria uma vida maravilhosa. O que seria o paraíso? No imaginário das pessoas essa resposta é fácil. É só fechar os olhos e nos vemos em uma bela e tranquila praia, tomando sol, com uma caipirinha na mão e petiscos na outra, acompanhados de quem amamos. Sem fazer mais nada.

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Essa ideia criada pela fantasia da sociedade acaba sendo transferida, muitas vezes involuntariamente, para as casas e para as famílias. Nesse paraíso que se tenta criar, as crianças e adolescentes não podem se frustrar, não podem ouvir “não”, tudo é entregue facilmente em suas mãos, tudo é dado.

Elas não precisam fazer nada, nem guardar a roupa, arrumar o quarto, esses afazeres simples que farão muita diferença para o adulto de amanhã. Como consequência, quando estes não recebem algo no horário que eles estipulam, partem para o choro, para o berro e para a exigência. Criamos crianças folgadas.

Criança folgada é aquela que tem mais direito do que deveres, e é preciso deixar claro que elas não nascem assim, elas se tornam folgadas.

Uma passagem bíblica que ilustra muito bem essa questão se encontra no êxodo, quando o povo saiu com Moisés do Egito. Na história conta que, enquanto andavam no deserto por 40 anos, Deus provia tudo para eles, protegia do calor e do vento, nunca faltava nada, nem água e nem alimento. Era uma maravilha, eles não precisavam fazer nada.

A passagem continua e mostra que em um certo momento aquelas pessoas queriam comer carne, sendo que o maná que recebiam do céu já tinha o gosto de carne que queriam. O motivo desse pedido foi que estavam saturados, sem prazer de viver porque recebiam tudo e queriam algo diferente. Então eles começaram a gritar, a chorar e espernear para o seu líder.

Por 40 anos o povo não precisou fazer nada e deviam, no início desses anos, se sentir no paraíso. Mas esse estado de receber tudo dos céus não foi o suficiente para eles. O que se pode aprender com essa história é que se equivocam os pais ao educar os filhos com o mínimo de esforço possível.

A criança não pode ser assim, só gritar e chorar que os pais imediatamente estão lá para socorrê-los. Com esse exemplo, vemos a importância dos educadores e dos pais mudarem essa visão prejudicial sobre o que é o paraíso. Ao mudar o pensamento de levar esse falso paraíso para as casas, como fica a educação de nossos filhos?

Podemos encontrar a resposta em uma pequena metáfora. Quando se olha para um navio no porto, se pode pensar que ele está seguro, e de fato está. Mas sabemos de antemão que ele não foi construído para ficar ancorado e sim para navegar, enfrentar os mares, as ondas e até mesmo tempestades. Podemos comparar nossos filhos com uma embarcação.

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Os filhos quando estão em nossos lares, estão ancorados em segurança. Mas sabemos que eles não foram feitos para isso, não foram feitos para ficar ao lado do pai e da mãe para sempre. Então o que faz o navio e o filho nesses lugares seguros?

Muito simples, lá eles estão se preparando para navegar, estão abastecendo, os comandantes estão vendo a rota, estudando, vendo se precisam fazer um reparo, até ficar pronto para sair em alto mar.

Nossas crianças e adolescentes igualmente estão em nossos lares temporariamente, por que não vieram para ficar permanentemente lá, então eles devem estudar a rota junto com os pais, e estes que darão para eles o combustível, os valores para que possam ajudar a enfrentar as tempestades da vida.

Sobre Rabino Samy Pinto :
Formado em Ciências Econômicas, se especializou em educação em Israel, na Universidade Bar-llan, mas foi no Brasil que concluiu seu mestrado e doutorado em Letras e Filosofia, pela Universidade de São Paulo (USP). O Rav. Samy Pinto ainda é diplomado Rabino pelo Rabinato chefe de Israel, em Jerusalém, e hoje é o responsável pela sinagoga Ohel Yaacov, situada no Jardins também conhecida como sinagoga da Abolição.
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Sobre Rabino Samy Pinto :
Formado em Ciências Econômicas, se especializou em educação em Israel, na Universidade Bar-llan, mas foi no Brasil que concluiu seu mestrado e doutorado em Letras e Filosofia, pela Universidade de São Paulo (USP). O Rav. Samy Pinto ainda é diplomado Rabino pelo Rabinato chefe de Israel, em Jerusalém, e hoje é o responsável pela sinagoga Ohel Yaacov, situada no Jardins também conhecida como sinagoga da Abolição.
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Atenção: Todas as informações são de responsabilidade dos organizadores do evento e estão sujeitas a modificações sem prévio aviso. As informações foram checadas pela equipe de reportagem do São Paulo para crianças em Agosto de 2018. Antes de sair de casa, confirme os dados com o destino, para evitar imprevistos
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