A intubação é considerada um procedimento salvador de vidas em muitos quadros delicados de saúde. É uma intervenção delicada que consiste na colocação de um dispositivo que permite a passagem de ar por um ventilador mecânico. Existem muitos quadros, desde o mais atual – o Covid-19, a prematuridade, má formação congênita, problemas respiratórios, entre outros que necessitam do procedimento.
É comum que a família se sinta apreensiva neste momento, por isso, a extubação, que é o processo de retirada desse dispositivo é muito esperado e festejado. Porém, o processo de intubação e extubação são responsáveis por diversas sequelas que necessitam de ajuda especializada.
Um dos mais comuns são os traumas nas vias aéreas porque podem comprometer o funcionamento das pregas vocais e causar sequelas relacionadas à respiração, fala, voz e deglutição, necessitando passar por uma terapia e processo de reaprendizagem.
A região laríngea é muito delicada, por isso uma das regiões mais prejudicadas. Longos períodos de intubação podem comprometer até o ato de alimentar-se, principalmente a mastigação e deglutição.
A mastigação, por exemplo, é um ato aprendido e sem a prática, torna-se inoperante. Durante o período de intubação, além do tubo de ventilação de “machucar” a região da oro-faringe, a prática da mastigação é extinta. As texturas dos alimentos já não são aceitas por conta da dificuldade em mastigar e deglutir o alimento. Em casos mais graves, após a extubação a criança pode ficar disfágica, apresentar engasgos recorrentes e pode ter muita dificuldade para se alimentar, desenvolvendo problemas respiratórios e nutricionais mais graves.
Neste momento é essencial o apoio e atendimento especializado, com exercícios e técnicas para o restabelecimento da região laríngea. Sempre recomendo que assim que a criança é extubada, iniciar o acompanhamento fonoaudiológico, ainda durante a internação. Após a alta, um diagnóstico é feito para entender as principais dificuldades, então é iniciado um protocolo de atendimento que inclui treino terapêutico, orientações e definição das melhores estratégias a serem desenvolvidas com o paciente voltado para a re-introdução alimentar e para o re-estabelecimento da comunicação.
A alta é o momento mais crítico em relação à alimentação e requer mais atenção ao desenvolvimento. A alimentação é responsável por sustentar o crescimento adequado, inclusive do desenvolvimento cognitivo. A falta de nutrientes pode causar dificuldades na aprendizagem, baixa imunidade, infecções, entre outros problemas.