O cantinho do pensamento é uma ferramenta muito utilizada pelos pais e professores na hora de educar, pois parece NÃO ser uma punição e ainda um tempo para a criança se acalmar. Somos a geração de pais que foi educada para corrigir comportamentos e não olhar para as emoções.
Acontece que o comportamento é regido pelas emoções, ou seja, o comportamento é reflexo do que está dentro, os pensamentos, emoções e sentimentos. Pensa em um dia que você está muito irritado, com certeza essa irritação interna reflete de alguma forma no seu comportamento externo, na sua expressão corporal, na forma de falar, gesticular, andar … Assim também acontece com as crianças, as emoções influenciam comportamentos, logo se compreendo o que sinto o comportamento melhora.
O nome cantinho do pensamento sugere um lugar de reflexão, entretanto te convido a lembrar o que você pensava quando era criança e estava lá. A criança não pensa: “meus pais estão com toda razão”, “eu fiz uma coisa horrível e mereço estar aqui”, “aqui neste cantinho consigo perceber que não devo agir mais dessa forma”.
Acontece exatamente o contrário, a criança pensa, “que raiva da próxima vez eu vou fazer escondido”, “nada dá certo comigo”, “meus pais não me amam”, “eu ainda vou me vingar”. Não gera reflexão e muito menos aprendizado, a criança quer ficar livre do cantinho e por medo pede desculpas e diz que não irá mais fazer.
O cantinho do pensamento é uma punição disfarçada, pois a criança é penalizada a sair da brincadeira ou atividade que estava fazendo para ficar isolada. É uma punição porque a criança terá que lidar com as emoções de culpa, raiva, frustração sem nenhum recurso ou apoio. É uma punição porque o objetivo do cantinho do pensamento é fazer a criança pagar pelo que fez.
O que fazer então?
Vamos imaginar que a criança bateu na irmã caçula que não emprestou o brinquedo. Quando buscamos compreender o que aconteceu internamente, quais são as emoções dessa criança, vamos olhar para o mau comportamento de uma outra forma. Neste exemplo, a criança pode ter sentido inveja da irmã caçula por ter um brinquedo que ela não tem e ainda frustrada por não ter conseguido convencê-la de emprestar.
É através da educação emocional que vamos fazer o mais importante, ensinar a criança a resolver o problema e não a pagar pelo erro.