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Mulheres se unem virtual e presencialmente para atravessar o pós-parto

Por Tatiana Fávaro - Publicado em 04/04/19

Mulheres se unem virtual e presencialmente para atravessar o pós-parto

Seis mulheres se reuniram virtualmente para não passarem o puerpério – período após a chegada do bebê – sozinhas. Elas não imaginavam, mas um ano após a criação do Mamãs em Rede, o grupo de apoio tem conectadas, hoje, 62 mães de diversos lugares do País e do mundo.

Estudos apontam que ao menos 20% das mulheres que se tornam mães atravessam a depressão pós-parto e que uma em cada quatro mulheres terá um quadro de baby blues – um período de tristeza, melancolia e angústia pós-parto, diferente da depressão.

Alguns especialistas em perinatalidade e parentalidade chegam a falar em índices de 80% no caso do baby blues. “Ter uma rede de apoio é absolutamente necessário”, afirma a psicóloga Maria Fernanda Nogueira.

Especializada em perinatalidade e parentalidade pelo Instituto Gerar, a profissional afirma que não ter rede de apoio é, inclusive, um fator de risco para depressão pós-parto. “A mulher (geralmente, embora o pai também possa deprimir) mergulha na maternidade e não tem ninguém que a resgate lá do fundo, ninguém que possa segurá-la para que respire um pouco fora d’água”, afirma Maria Fernanda. “Agrupar mulheres no puerpério ajuda com a solidão de ficar em casa o dia todo com um bebê, mostra que elas não são as únicas a se sentirem perdidas e cria rede de apoio real para essas mães.”

Ninguém solta a mão de ninguém

Quando Helena tinha 4 meses, sua mãe, a jornalista e doula Tatiana Fávaro, mal conseguia sair de casa. Era 2015 e a jundiaiense morava em São José dos Campos. “Procurei ajuda profissional para entender o que era aquele turbilhão”, conta. Em 2018, Tatiana pariu Francisco. Voltou a Jundiaí. “Prometi pra mim mesma que não passaria pelo pós-parto sozinha outra vez. E convidei amigas que estavam grávidas mais ou menos do mesmo tempo que eu para formarmos um grupo.”

Assim nasceu o Mamãs em Rede. “O grupo me fortaleceu nas madrugadas quando eu me sentia mais sozinha. Me ajudou a não enlouquecer”, afirma Joema Maia Kagohara, mãe de Ben Yoshi, que antes do filho completar o primeiro ano de vida precisou se mudar de estado, mas se manteve conectada às amigas.

Sem fronteiras

Em outro país, Iará Simis, mãe de Amélie, de 10 meses, também mantém contato com as “manas”, como elas se chamam no grupo. “Estou longe de casa, da família e amigos. Estar conectada a outras mães tem sido fundamental”, diz. “Na gravidez ouvia muito da importância da rede de apoio, mas só no puerpério fui realmente entender o significado disso.”

Chamada carinhosamente de “musa” do grupo pelas parceiras de puerpério, Jaqueline Correia Gaspar, mãe de Ana (15), Pedro (11) e Nina (1), foi uma das primeiras a entrar depois do grupo inicial se formar. Já “levou” muitas mães para o grupo – muitas delas se conheceram nas rodas de gestantes da Casa Humanna, em Jundiaí, onde a psicóloga Maria Fernanda atende puérperas. “Me sinto responsável pelas ‘manas’. Um pouco pelo fato de ser profissional de saúde, mãe de filhos mais velhos. E com elas aprendo todos os dias.”

Empatia, um exercício diário

O grupo tem regras de boa convivência. Não postar assuntos que não sejam de interesse materno, nada de dezenas de “bom dia”, flexibilidade para quem não consegue acompanhar as mais de cem mensagens diárias e o mais desafiador: exercitar o não-julgamento. “Cada um tem um jeito de maternar. Claro que nos unimos por afinidade, pelo olhar humano para o parto, a maternidade, as crianças, as mães, mas respeitar os limites de cada um é um aprendizado empático”, diz Tatiana.

Por isso as Mamãs em Rede se sentem tão à vontade para partilhar sucessos e insucessos dessa jornada. Jaqueline define o grupo virtual como “aquela amiga confidente, pra quem se pode contar os maiores segredos e presepadas, que vai te dar um abraço”, afirmou. “Muitas de nós criou um vínculo forte, uma relação intensa – a ponto de a gente deixar um áudio no grupo e daqui a pouco uma amiga chamar você no privado pra saber o que está acontecendo.”

Mães cuidam das crias, grupo cuida das mães

O acolhimento fez brotar amizades reais, fora do WhatsApp. As mães já fizeram encontros presenciais, oficinas temáticas e algumas se conectaram em amizades verdadeiras. “Eu sinto que o grupo cuida das mães enquanto as mães cuidam dos bebês. Quando o bebê nasce, todos querem cuidar do bebê e as mães são esquecidas. Essa é a principal função e missão do grupo”, afirma Débora Bastos, mãe de José, de 11 meses. “Quando José ficou internado, havia médicos, família, amigos pensando nele. O grupo cuidou de mim.”

O desejo dessas mães ao “cortar o bolo” no primeiro aniversário? Que o Mamãs em Rede seja um lembrete a todas as mães – estejam onde estiverem – que rede de apoio é quem acolhe – não necessariamente quem está perto fisicamente. E que é possível fazer essa jornada sabendo que não se está só.

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Sobre Tatiana Fávaro:
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Doula, Mãe da Helena e do Francisco.
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Sobre Tatiana Fávaro:
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Doula, Mãe da Helena e do Francisco.
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Atenção: Todas as informações são de responsabilidade dos organizadores do evento e estão sujeitas a modificações sem prévio aviso. As informações foram checadas pela equipe de reportagem do São Paulo para crianças em Abril de 2019. Antes de sair de casa, confirme os dados com o destino, para evitar imprevistos

Crédito das imagens: Arquivo pessoal

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