compartilhe

Medicina antroposófica e o uso de antibióticos: quando adotar o medicamento

Por Fabrício Dias - Publicado em 17/12/18

Como médico da família com ampliação pela medicina Antroposófica, deparo-me constantemente no consultório com pessoas desoladas por não aguentarem mais usar antibióticos para infecções recorrentes e incômodas. Esses paciente sofrem com os sintomas das infecções, porém padecem também com os efeitos colaterais dos antibióticos.

Além do desequilibrio do sistema imunológico, apresentam infecções fúngicas oportunistas e sofrem de disbiose intestinal, uma disfunção da flora intestinal que pode apresentar sintomas em vários sistemas do corpo.

Leia mais: Como aliviar os incômodos do nascimento dos dentes de leite na criança?

A prática da medicina antroposófica envolve uma anamnese completa, e sempre que possível, o acompanhamento da pessoa em várias fases de sua vida. A longitudinalidade da assistência, ou seja, o acompanhamento próximo ao doente, reduz a necessidade de intervenções desnecessárias.

As famílias de orientação antroposófica usam menos agentes antimicrobianos que a população geral e têm menos alergias alimentares . Quando é necessário, o médico de orientação antroposófica faz uso dos antibióticos, porém, em casos de infecções que se repetem em curto intervalo de tempo, os praticantes da antroposofia adotam medicamentos específicos que promovem a recuperação do equilíbrio imunológico, interrompendo o ciclo da doença.

Nesse sentido, uma visão médica ampliada que prioriza a atenção integral ao paciente e não somente da doença, aliada às boas ferramentas da medicina convencional alopática, contribuem para o uso racional dos antibióticos.

Por esse e outros movivos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está buscando ampliar os conhecimentos dos médicos em modalidades de medicina integrativa, visando assim,  a redução das intervenções desnecessárias,  aumentando, inclusive, a qualidade da assistência. Um desafio que parece ser um paradoxo mas é uma realidade em muitos países.

Os antibióticos foram, sem dúvidas, uma grande revolução na medicina do século passado, com importante mudança dos protocolos de atendimento e assistência aos doentes de moléstias infecciosas. No século XXI, no entanto, os médicos e os pacientes abusaram do uso dos agentes antibacterianos, o que pode estimular o surgimento das superbactérias.

O momento certo de introduzir um antibiótico leva em conta vários critérios, como por exemplo, o local acometido pela doença, a idade do paciente, o status de imunidade e os riscos envolvidos. É, de fato, um desafio diário de prescrição. Pacientes oncológicos, portadores de doenças crônicas como o diabetes, de baixa imunidade, crianças abaixo de 6 meses, gestantes e idosos, por exemplo, são pessoas em que normalmente o uso de antibióticos não deve ser protelado.

Leia mais: Maternidade: como identificar e tratar o blues puerperal

Vale lembrar que as bactérias habitam a Terra há muito mais tempo que qualquer outro ser vivo. Nesse longo percurso evolutivo, elas colonizaram praticamente toda a superfície da crosta terrestre, desde crateras de vulcões com temperaturas extremas até o mais profundo e gelado dos mares.

Na verdade, as bactérias são seres essenciais para a manutenção da vida e dos ecossistemas terrestres e, apesar de geralmente nos referirmos à elas quando pensamos em doenças, somente uma pequeníssima quantidade de espécies são nocivas. Os agentes antibacterianos, entretanto, não distiguem as “boas das más bactérias”, e acabam  por selecionar os indivíduos mais resistentes.

Academicamente, os profissionais da área médica são orientados a usarem os agentes antimicrobianos seguindo critérios rigorosos, baseados em estudos estatísticos de dados sobre os danos causados pelo emprego indiscriminado deles.

Entretanto, muitas variáveis fogem ao controle da academia. Pacientes em situações de vulnerabilidade social, a preferência por atendimento rápido em serviços de emergência, falta de exames laboratoriais, entre outros, limitam o bom uso e, por vezes, levam os médicos a recorrerem à prescrição exagerada dos antibióticos.

Em outras palavras, essas drogas acabam sendo superutilizadas para minimizar os efeitos da falta de recursos.

O problema é que esse modo de agir gerou uma cultura de uso excessivo pelos médicos e também pela população. Outras formas de tratamento das infecções mais simples e eficazes, deixaram de ser usadas e foram sendo esquecidas.

Um exemplo disso envolve as infecções respiratórias infantis, que normalmente são de baixa gravidade, mas muito temidas pelas mães. Nesse caso, uma das principais preocupações dos médicos é com a febre reumática, uma reação autoimune à infecção pela bactéria Streptococcus pyogenes, que pode causar lesões cardíacas e renais crônicas.

Entretanto, recursos envolvendo exames complementares que identificam o tipo de bactéria, como a cultura da secreção purulenta e exames de detecção de anticorpos contra Streptococos –  os quais não são muito utilizados – poderiam evitar o uso desnecessário destes antibióticos.

A medicina integrativa com abordagem antroposófica leva em conta não apenas o quadro clínico, os sintomas, os exames físicos e laboratoriais, mas toda a história de vida da pessoa trazendo, assim, uma visão abrangente para o paciente e, consequentemente, uma abordagem de maior qualidade de assistência.

Sobre Fabrício Dias:
Médico antroposófico e especialista em medicina de família e comunidade (CRM SP 195858). É membro da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (Abma) e da Sociedade Antroposófica do Brasil, além de atuar como médico-consultor da Weleda.
Quer receber mais artigos como esse? Cadastre-se e receba nossas novidades em seu e-mail!
Sobre Fabrício Dias:
Médico antroposófico e especialista em medicina de família e comunidade (CRM SP 195858). É membro da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (Abma) e da Sociedade Antroposófica do Brasil, além de atuar como médico-consultor da Weleda.
Compartilhar:
Atenção: Todas as informações são de responsabilidade dos organizadores do evento e estão sujeitas a modificações sem prévio aviso. As informações foram checadas pela equipe de reportagem do São Paulo para crianças em Dezembro de 2018. Antes de sair de casa, confirme os dados com o destino, para evitar imprevistos

Crédito das imagens: Divulgação/Assessoria de Imprensa

Quer falar diretamente com seu público-alvo?
Anuncie aqui!
Nossos canais:
® São Paulo para Crianças é uma marca registrada. Todos os direitos reservados. - desenvolvido por Ideia74
Cadastre-se para ficar por dentro das novidades!