Quem resiste àqueles olhares brilhantes e atentos das crianças quando se deparam com espetáculos circenses? O circo é um lugar mágico, que remete a vivências e traz sensações incríveis, nos fazendo viajar na explosão de cores, na alegria dos palhaços e na coragem dos trapezistas.
Pensando nisso trouxemos essa opção de passeio, formada por 14 sessões teatrais e duas oficinas de criação, a IV Mostra de Teatro de Heliópolis.
As apresentações acontecem entre 29 de outubro e 06 novembro de 2022, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho, no Ipiranga; no CEU Heliópolis, e em ruas da comunidade, com atividades gratuitas, incluindo transporte até os locais.
Ao som de instrumentos como a rabeca, bombos de corda, bages e mineiro, integrantes e foliões comemoram o grande baile oferecido pelo Capitão Marinho. O ritmo pulsante da música é acompanhado por diferentes formações coreográficas e passos denominados “trupés”.
Nesse sapateado brasileiro a forte pisada, a leveza e a graça dos movimentos dos brincadores se unem, compondo variados desenhos coreográficos e jogos ritmados com o público. No decorrer da festa, Capitão Marinho compra de Seu Ambrósio – um vendedor ambulante de brincadeiras – uma série de figuras máscaras para integrar a festa.
Bonecos gigantes e figuras mascaradas – Soldado, Mateus, Mané Pequenino, Margarida, Bicho Babau e Boi – aparecem, então, para contar suas curiosas histórias no grande baile oferecido em homenagem ao Capitão Marinho.
A festa se completa com a participação do público que não fica indiferente à passagem do colorido cortejo e se une à brincadeira para festejar, formando uma roda para cantar e dançar os cocos de despedidas.
Partindo de histórias e memórias de Heliópolis, a menina Luz traz o verdadeiro sentido da palavra mito. Foi ouvindo alguma vozes da comunidade, falas que ecoam e reverberam nas mentes dos integrantes da companhia, que nasceu a narrativa, brotada feito a semente de girassol, forte em terra bruta de luta e labuta.
Dos campos que viraram casas, bem além dos muros e concretos, a montagem traz o ‘humano’ que dá vida a esse bairro-cidade que pulsa feito o sangue que corre nas veias de mulheres que fazem crescer e sustentar a ‘Cidade do Sol’. Muros aqui são rompidos e os conceitos quebrados, vividos e lapidado.
Podia ser Pior provoca a plateia por meio da arte circense, trazendo questões sobre aquilo que consumimos como arte e como nos relacionamos com os trabalhares artísticos. A dupla Terrô e Disgraça – Matheus Barreto e Jhuann Scharrye, respectivamente – apresenta o que eles diz ser apenas um pedaço do seu espetáculo, mas que acaba sendo um grande show para toda a família, recheado com malabares, músicas e acrobacias que, contudo, poderia ser pior.
Três bicicletas personalizadas com mini teatros lambe-lambe formam o cenário da Trilogia Circo. Cada história apresenta ao expectador um pouco do universo circense.
“O camarim do palhaço”, “O circo de pulgas” e “Quando o circo chega na cidade” são mini teatros fazendo a mesma função do circo, instaurando-se no espaço e realizando uma ação artística cheia de vida.
Em um ringue de boxe enfrentam-se duas oponentes: a influente Sra. S.A. e a faxineira do ringue, Maria. A mediação do embate é realizada pela Narradora e por Dra. Norma, a árbitra.
Entre músicas, narrativas e palhaçaria, Maria cria estratégias para garantir sua sobrevivência e vê o ringue transformar-se em diferentes espaços do cotidiano e da imaginação.
Dois ‘palhaçes’ pescadores se perdem em alto mar. Em busca de comida, eles acabam pescando um livro de contos africanos, iniciando uma travessia imaginária até a África.
Por meio da leitura da lenda africana O Macaco e a Lua, eles embarcam em uma grande aventura onde descobrem a origem do tambor e suas raízes de matrizes africanas.
A Palhaça Curtiça (Samara Montalvão) recebe o público em seu pequeno Circo Curtição, a herança que ficou de sua avó. Cheia de dúvidas, mas muito determinada, Curtiça encontra inspiração nas lembranças do circo na época da sua avó para dar continuidade ao seu legado.
Em meio a muitas trapalhadas, ela consegue apresentar paródias dos números clássicos de circo com mágica, música, ilusionismo, dança e improviso com o público.
Em uma jornada musical, através do samba, o elefante mirim africano Kuami e sua amiga Janaina, uma sereiazinha aventureira do reino das águas, viajam juntos pela floresta amazônica à procura da mãe de Kuami, sequestrada por traficantes de animais.
O samba é fio condutor da narrativa entre as duas crianças, que buscam encontrar suas raízes a partir desse ritmo ancestral.
Chiquita é uma feirante que adora um público para fazer suas peripécias enquanto vende a sua fruta. Desbordada, engraçada, sincera e muito emocional, Chiquita conduz o espectador a uma viagem na qual ela conta de onde vem e se pergunta aonde vai, convidando ao público a descobrir, junto com ela, uma nova etapa na sua vida de feirante de frutas. A Louca das Frutas tem criação, concepção e interpretação de Painé Santamaria e direção de Leticia Vetrano.
Dumzé está morto. Seu corpo segue rumo ao enterro levado pela própria Morte e, finalmente, depois de muito lutar com a vida, vai descansar em paz. O espetáculo propõe um jogo cênico que envolve o público num cortejo fúnebre, acompanhando a relação entre essas duas figuras tão presentes na realidade popular.
Transporte gratuito para todas as sessões: Estação Sacomã do Metrô (saída Rua Bom Pastor). Horários disponíveis nas redes sociais do evento (reserva pelo site da Mostra).
A curadoria foi realizada pelo professor e crítico teatral Alexandre Mate, Miguel Rocha, fundador da Cia. de Teatro Heliópolis, assina a direção artística e Daniel Gaggini, a direção de produção do evento. Este projeto foi contemplado pelo ProAC Editais, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.
IV Mostra de Teatro de Heliópolis
Recomendado: a partir de 3 anos
Quando: Já foi
Horários: varia conforme a atração
Preços: Gratuito