Quando o casal apresenta dificuldades para engravidar, a reserva ovariana é um dos primeiros fatores avaliados. Isso porque a sua importância para a fertilidade feminina é enorme, já que representa a quantidade de folículos da mulher. Os óvulos estão localizados dentro desses folículos, assim, quando o seu número cai, o que chamamos de baixa reserva ovariana, as chances de uma gestação com tratamento podem diminuir consideravelmente.
Como se sabe, a reserva ovariana está diretamente relacionada à idade da mulher. Com o tempo, a quantidade dos óvulos é afetada, bem como a qualidade. A partir dos 35 anos a chance de gravidez começa a diminuir e, quando a mulher chega aos 40, esse estoque de folículos ovarianos fica ainda menor.
Isso acontece porque a mulher nasce com uma quantidade pré-determinada de folículos ovarianos e, a partir da puberdade, uma parte do seu estoque é utilizado todo mês independentemente do uso de métodos contraceptivos.
É durante esse ciclo que o corpo se prepara para a gestação. Entre as suas diversas funções, os hormônios atuam em uma parcela dos folículos ovarianos para que eles cresçam. No entanto, apenas um se desenvolve, liberando o óvulo para ser fecundado. Os folículos que não desenvolveram são naturalmente eliminados. Esse processo se repete todo mês até a chegada da menopausa.
Mas, além da idade, outros fatores podem resultar em uma baixa reserva ovariana, como doenças que afetam os ovários, por exemplo, entre as quais destaca-se a endometriose. Os tratamentos oncológicos e o tabagismo também contribuem para diminuição da reserva, assim como a falência ovariana prematura (FOP), conhecida como menopausa precoce, que ocorre quando o funcionamento dos ovários é interrompido antes de a mulher completar 40 anos.
A avaliação da reserva ovariana é um dos exames solicitados durante a investigação da infertilidade feminina e antes de se iniciar tratamento com reprodução assistida. A partir das informações coletadas, o médico consegue avaliar os níveis da paciente e orientar o casal sobre os próximos passos para engravidar. Ela pode ser feita por 3 tipos de exames: a ultrassonografia transvaginal; as dosagens do hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio antimülleriano.
A ultrassonografia transvaginal é utilizada para contar o número de folículos antrais da paciente. Quanto maior a quantidade de folículos, maior será a resposta ovariana à estimulação quando houver a necessidade de tratamento. As dosagens hormonais medem os níveis de FSH e estrogênio. Eles atuam diretamente no ciclo menstrual, por isso, o desequilíbrio na produção desses hormônios pode indicar uma baixa reserva ovariana. De forma parecida, medir a produção do hormônio antimülleriano ajuda a estimar quantos óvulos a mulher ainda possui.
As técnicas de reprodução assistida podem ser eficazes mesmo em casos de baixa reserva ovariana, dependendo do nível da paciente. A técnica mais indicada é a fertilização in vitro (FIV) após o acumulo de óvulos com técnicas como o Tetrastim, que começa com uma estimulação ovariana para desenvolver mais folículos e aumentar o número de óvulos maduros usados na fecundação. Para isso, a paciente recebe medicamentos hormonais semelhantes aos que são produzidos durante o ciclo menstrual. Quando atingem o tamanho ideal, os folículos são coletados por punção folicular, os óvulos extraídos, selecionados e congelados para posterior fecundação em laboratório com os espermatozoides. Após alguns dias, os embriões mais saudáveis são transferidos para o útero da paciente. Trata-se da técnica mais eficaz e com a maior taxa de sucesso para os casos de infertilidade conjugal.
Como mensagem final, sugerimos que toda mulher realize uma das técnicas de avaliação de reserva ovariana após os 32 anos.