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Educando as meninas para se protegerem

Por Karina Lira - Publicado em 16/04/19

O mês de março é marcado por uma história de luta e reivindicações dos direitos das mulheres. Em 1857, centenas de operárias morreram queimadas por policiais em uma fábrica têxtil de Nova York (EUA). Elas reivindicavam a redução da jornada de trabalho e o direito à licença-maternidade. Em homenagem às vítimas, no ano de 1911, foi instituída a comemoração de 8 de março, o Dia Internacional da Mulher.

Pautas diversas estão em debate, mas o que vamos refletir aqui, é como este problema tem afetado as mulheres desde cedo, desde tenra idade quando eram só meninas. E mais que isso, como prepará-las e fortalece-las para encararem o mundo.

Uma fotografia da realidade

Temos observado através das mídias crescimento do feminicídio* , que também tem atingido cada vez mais mulheres mais jovens. Para o enfrentamento da violência contra as meninas e mulheres, além de dar visibilidade aos crimes, é fundamental a manutenção, a ampliação e o aprimoramento das redes de apoio à mulher, previstos na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que viabilizam o atendimento e as alternativas de vidas para as mulheres. A rede de atendimento deve garantir o acompanhamento às vítimas e empenhar um papel importante na prevenção da violência, desde muito cedo.

Por que educar as meninas a se protegerem?

A resistência da criança é uma barreira que pode evitar que um episódio de violência ocorra. O trabalho de prevenção através da educação sexual consiste em fortalecer a criança a dizer não, a reagir a seu favor de alguma maneira.

A educação para a sexualidade é o melhor caminho para prevenir experiências negativas na vida das crianças e dos adolescentes. É o espaço para se fomentar uma consciência saudável sobre a sexualidade, sobre o cuidado com o corpo e sobre o prazer das relações humanas.

Com essa consciência as crianças e os adolescentes são capazes de estabelecer vínculos seguros consigo mesmos e com aqueles com quem convivem. Com isso, é possível afirmar que trabalhar habilidades de autoproteção junto as crianças e adolescentes é uma maneira eficiente, dentre outras medidas que devem ser tomadas, para se combater a violência.

Ensine as meninas…

  • A nomearem e valorizarem as partes do corpo, tendo clareza do cuidado e da privacidade de suas partes íntimas.
  • A reconhecerem os sinais do corpo que indicam desconforto, e ensinar para que elas se expressem quando sentirem insegurança ou medo.
  • Que devem ser respeitadas, ouvidas, e principalmente, que tenham pleno direito de dizerem NÃO.
  • Que há segredos que NÃO podem ser guardados.
  • Que ela deve saber o que é abuso sexual.
  • Que ela deve pedir ajuda se passar por situação de risco ou violência.

Afirmações perigosas

Infelizmente a grande maioria dos pais e educadores ainda não estão orientados para educar seus filhos dessa forma, pelo contrário, acabam reforçando uma cultura violenta.

Uma cultura se expressa a partir dos símbolos que usamos no cotidiano, mas que, muitas vezes, sem darmos conta, são nocivas para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igual para meninas e meninos, mulheres e homens.

Você já deve ter se deparado em repetidas ocasiões com expressões como “foi um crime passional” ou “os ciúmes a mataram” e frases que tentam atribuir a causa da agressão ao “amor” do autor do crime.

Na vida real não existem crimes passionais, nem por ciúmes nem por amor, mas são formas de assassinato que implicam em um problema profundo, que surge do sentido de posse que existe do homem em relação a mulher.

Que tal não dizer mais qualquer palavra que possa fragilizar ainda mais a vida das meninas e mulheres.

As crianças aprendem pelo exemplo, nossas falas, gestos e atitudes constroem o caráter dos nossos filhos, e consequentemente, dos cidadãos deste país.

 

*Feminicídio é descrito como o assassinato de mulheres por homens motivados pelo ódio, desprezo, prazer ou sentimento de propriedade. Fonte: https://scielosp.org/article/csc/2017.v22n9/3077-3086/pt/

Sobre Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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Sobre Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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Atenção: Todas as informações são de responsabilidade dos organizadores do evento e estão sujeitas a modificações sem prévio aviso. As informações foram checadas pela equipe de reportagem do São Paulo para crianças em Abril de 2019. Antes de sair de casa, confirme os dados com o destino, para evitar imprevistos

Crédito das imagens: Reprodução

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