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Açúcar: consumir com moderação para manter uma vida saudável

Por Ana Paula Wolf Tasca Del'Arco - Publicado em 09/04/19

Atualmente, mais da metade dos brasileiros apresentam sobrepeso (cerca de 54%) e, destes, 18,9% são obesos, segundo a pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico de 2017), realizada pelo Ministério da Saúde. Faz-se necessária a implementação de “ações” que possam reverter esse cenário alarmante.

Tais “ações” necessariamente envolvem a mudança do padrão de consumo alimentar da população. Ações coordenadas entre o poder público (com implementação de políticas públicas), o setor produtivo (com acordos intersetoriais que visam melhorar a qualidade nutricional dos alimentos), a sociedade civil (em ações coordenadas de educação nutricional) e, o próprio cidadão, como agente de mudança individual, perfazem caminho promissor para frear a epidemia de obesidade vivenciada nos dias de hoje.

Buscar melhoras em seu próprio estilo de vida, com aumento da prática de atividade física e a reeducação de seus próprios hábitos alimentares é o ponto de partida.

Atitudes simples no dia a dia são capazes de proporcionar mudanças significativas, contribuindo em para a reeducação do paladar como, por exemplo, ensinar as crianças que um suco de laranja pode (e deve!) ser consumido sem açúcar, bem como reeducar as pessoas idosas e ensiná-las a consumir o tradicional cafezinho com menos açúcar.

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A redução gradual do teor de açúcar dos alimentos industrializados também é ação importante neste contexto, influenciando na reeducação do paladar das pessoas, que terão a sensibilidade de seu paladar modificada, passando a consumir menos açúcar, principalmente o “açúcar de mesa”.

O consumo de açúcar está associado com a incidência de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis. Mais correto seria dizer que o consumo excessivo de açúcar está associado com diversos malefícios à saúde.

Atualmente, a saúde da população está sendo impactada negativamente pelo consumo de açúcar em excesso, desenhando um cenário de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis já observadas na infância. Alimentos com muito açúcar adicionado condicionam o consumo excessivo de açúcar pela população.

O açúcar por si só não é vilão. O “açúcar de mesa” ou a sacarose é um carboidrato que fornece energia para o organismo e cada grama de açúcar tem 4 calorias.

Assim como a frutose que é o açúcar das frutas e a lactose que é o açúcar do leite, a sacarose é o açúcar que naturalmente ocorre na cana de açúcar e seu uso ocorre após sua extração e concentração, sendo apresentada como um pó granulado branco.

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Dentro deste contexto, temos a frutose e a lactose ocorrendo naturalmente nas frutas e no leite respectivamente, fornecendo o paladar doce a estes alimentos conforme a natureza determinou. Com a sacarose temos um cenário diferente: como foi extraída e concentrada a partir da cana de açúcar, a sacarose passa a ser o “açúcar de adição” ou o “açúcar de mesa”, utilizado de acordo com o paladar de quem está consumindo. Ou seja, o consumidor tem o “poder” de adoçar o café, o suco, as preparações culinárias de acordo com o seu paladar. E é aí que mora o perigo…

Importante pontuar que o açúcar, o doce e o paladar doce fazem parte da alimentação, da cultura e da memória afetiva das pessoas.

As memórias afetivas do paladar doce têm início na amamentação, onde o leite materno é o primeiro alimento consumido pelo ser humano e tem paladar doce, assim como a maioria dos alimentos encontrados na natureza, como frutas, tubérculos e hortaliças.

Desde cedo as papilas gustativas do ser humano estão aptas ao paladar doce, sendo os demais aprimorados com o tempo. As memórias afetivas do paladar doce não se encerram com o fim da amamentação, estão também no bolo de chocolate da mamãe, no doce de abóbora preparado pela vovó, no cafezinho com bolo de fubá servido na visita à casa de um amigo…

Sendo assim, dentro de um hábito alimentar balanceado e equilibrado o açúcar tem vez! E de vilão, pode se tornar herói, quando uma memória afetiva é acionada por conta do paladar doce, trazendo conforto emocional, mediado por hormônios.

Culturalmente, o brasileiro tem o açúcar enraizado em sua culinária, por conta da economia açucareira no Brasil Colonial. O paladar do brasileiro foi desde cedo acostumado ao sabor doce intenso. A expressão “mamão com açúcar” pode ter origem no costume de se adicionar açúcar (sacarose) às frutas, que já têm o paladar doce naturalmente.

Todos os alimentos introduzidos na alimentação das pessoas são moldados de acordo com o paladar das pessoas, assim como os alimentos industrializados, que são formulados de acordo com a aceitação do paladar da maioria dos consumidores. Alimentos com paladar bem doce são facilmente aceitos pelos consumidores brasileiros.

As reduções nos teores de açúcar dos alimentos industrializados, por exemplo, não devem afetar drasticamente o paladar dos produtos, criando barreira ou recusa no consumo. A reeducação do paladar passa por um processo de adaptação e as reduções nos teores de açúcar devem ser paulatinas, pois pouco efetivo seria reduzir drasticamente o teor de açúcar de um iogurte se em casa o consumidor adiciona a quantidade de açúcar que desejar.

Portanto, é preciso reeducar o paladar dos brasileiros para que a redução no consumo de açúcar seja de fato eficaz dentro do contexto de ações para o enfrentamento da epidemia de obesidade.

Sobre Ana Paula Wolf Tasca Del'Arco:
Doutoranda pelo Dpto. Pediatria da UNIFESP; Mestre em Ciência dos Alimentos pela UNESP e Nutricionista. Sócio proprietária da Capitão Pão Consultoria em Nutrição. Atualmente é membro da Câmara Técnica do Conselho Regional de Nutricionistas 3ª região e Consultora da Associação Brasileira de Laticínios – Viva Lácteos. Pesquisadora e Gerente em Saúde e Nutrição na Danone Brasil (2008-2014); Coordenadora da Força Tarefa de Alimentos Funcionais do ILSI Brasil (International Life Sciences Institute) (2008-2010).
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Sobre Ana Paula Wolf Tasca Del'Arco:
Doutoranda pelo Dpto. Pediatria da UNIFESP; Mestre em Ciência dos Alimentos pela UNESP e Nutricionista. Sócio proprietária da Capitão Pão Consultoria em Nutrição. Atualmente é membro da Câmara Técnica do Conselho Regional de Nutricionistas 3ª região e Consultora da Associação Brasileira de Laticínios – Viva Lácteos. Pesquisadora e Gerente em Saúde e Nutrição na Danone Brasil (2008-2014); Coordenadora da Força Tarefa de Alimentos Funcionais do ILSI Brasil (International Life Sciences Institute) (2008-2010).
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Atenção: Todas as informações são de responsabilidade dos organizadores do evento e estão sujeitas a modificações sem prévio aviso. As informações foram checadas pela equipe de reportagem do São Paulo para crianças em Abril de 2019. Antes de sair de casa, confirme os dados com o destino, para evitar imprevistos
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