Clarice Lispector é homenageada com a exposição A Imagem e a Palavra – Encontro com Clarice Lispector, inaugurada no dia 6 de março a mostra fica em cartaz até o dia 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, a entrada é grátis.
Com curadoria da aquarelista Altina Felício, a exposição reúne trabalhos de 32 artistas plásticos, entre gravuras, desenhos, pinturas, aquarelas e instalações, a partir das obras da escritora e jornalista.
“Não é ilustrativo, é uma livre inspiração sobre os livros, trechos ou frases que são destacados nas legendas para que o público tenha referências de onde partiu a criação dos trabalhos”, explica a curadora.
Além de fazer alusão ao Dia Internacional da Mulher, a exposição é uma homenagem aos 100 anos de nascimento de Clarice Lispector, que nasceu na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, veio para o Brasil com apenas 2 anos de idade com seus pais que fugiam da perseguição aos judeus durante a guerra civil russa.
Morreu no Rio de Janeiro um dia antes de completar 57 anos, por complicações de um câncer de ovário. Dois meses antes de morrer, Clarice lançou A Hora da Estrela, um de seus mais conhecidos romances.
A Exposição:

Ao descer as escadas, os visitantes encontram duas estrelas penduradas no teto, feitas com chapa de aço e pintura automotiva, obra de Maura Takemiya, criada a partir da crônica Eu Tomo Conta do Mundo.
A Hora da Estrela inspirou várias obras da exposição, entre elas fotocolagens de Rafael Augustaitiz e a instalação Refúgio, de Regina Carmona, uma foto-estampa digital sobre tecido, criada a partir da frase “Vagamente pensava de muito longe e sem palavras o seguinte: já que sou, o jeito é ser…”.
A personagem Macabéa, também de A Hora da Estrela, é tema da série Carta Para uma Datilógrafa, de Leonor Décourt, que escolheu a máquina de escrever para representá-la, “pois a única coisa que a personagem sabia fazer (e mal) era datilografar”.
Macabéa inspira também a xilogravura Retrato de uma Alagoana, de Marisa Mancini, e as echarpes brancas com aquarelas de borboletas de Deucelia Silvério, que segundo a própria artista foram criadas a partir de um sonho de Macabéa, em que ela fala que “maio é o mês das borboletas noivas flutuando em brancos véus”.
As borboletas do livro A Mulher que Matou os Peixes (1968), também inspiram a artista Cristina Bottallo na criação da pintura, bordado e serigrafia A Cidade das Borboletas.
A artista Lucila Sartori criou uma barata de pedra e papel inspirada no personagem de A Paixão Segundo G. H. (1964), que no final come uma barata, numa metáfora da existência.

O livro Laços de Família (1960), que é representado na instalação A Censura Não Tem Tamanho, criada a partir de materiais recicláveis por João Maia. O livro Água Viva (1973) se faz presente nas fotocrônicas Clarice em Mim, de Regina Azevedo, e na instalação de fios em formato de água-viva Vida, Luminosa, de Lourdes Sakotani.

Há também obras que falam de imagens e palavras, “duas vertentes sublimes da arte”, segundo a curadora Altina Felício, que apresenta duas gravuras a partir de uma extensa pesquisa sobre como as letras surgiram no mundo.
Vários trabalhos prestam homenagem à própria Clarice Lispector, como a pintura Uma Casa para Clarice, de Katia Canton, a instalação de cerâmica Pensando Clarice, de Norma Grinberg, e até um haikai, Homenagem para Clarice, de Carlos Roberto Bueno.

Fonte: Jornal da USP, matéria de Claudia Costa
Exposição "A Imagem e a Palavra – Encontro com Clarice Lispector"
Recomendado: Todas as idades
Quando: Já foi
Horários: das 10h às 18h
Preços: Gratuito