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Tireoide e gravidez: riscos e tratamento das doenças da tireoide durante a gestação

Por Dra. Maíra Pontual Brandão - publicado em 17/07/2018

Está grávida e tem disfunção na tireoide? E agora? Como seguir o tratamento sem prejudicar o bebê? Primeiro precisamos entender o papel e o funcionamento dessa glândula em nosso corpo. A tireoide é uma glândula que produz hormônios fundamentais para o organismo, relacionados ao crescimento, ao metabolismo, à função de vários órgãos e à fertilidade.

Ela pode apresentar distúrbios na sua função e/ou na sua forma e tamanho. As disfunções da tireoide ocorrem quando existe uma produção hormonal em excesso, no hipertireoidismo; ou deficiente, no hipotireoidismo. Ambas as situações são prejudiciais ao organismo.

De acordo com dados do IBGE, 15% dos brasileiros sofrem com disfunção na tireoide. Dentre estas, um grupo que requer muita atenção é o das gestantes. Uma vez que a gestação é um teste de stress para tireoide que precisa produzir 50% a mais hormônios. E as consequências da falha nesta produção hormonal são potencialmente graves tanto para a mãe como para o bebê.

Infertilidade, descolamento placentário, parto prematuro, baixo peso ao nascer, aborto, perda gestacional, doença hipertensiva específica da gestação, hemorragias pós-parto e redução do QI fetal são as potenciais consequências das disfunções da tireoide não tratadas na gestante.

O diagnóstico da doença é feito por meio de exame físico, de sangue e ultrassom. Os sinais de alerta são cansaço excessivo, sonolência, frio excessivo, constipação e facilidade de ganho de peso no caso do hipotireoidismo. Já insônia, agitação, sudorese, emagrecimento, palpitação são indícios de hipertireoidismo. Porém, muitos pacientes, principalmente aquelas com alterações mais leves podem não ter sintomas.

É importante a avaliação desta glândula antes mesmo de tentar engravidar, uma vez que a disfunção desta pode dificultar a gravidez e provocar abortamento já no início da gestação. Na primeira consulta pré-natal também deve-se ter o cuidado com a tireoide tanto para as gestantes com doença já identificada, como para aquelas sem diagnóstico.

Além das alterações na função, o surgimento de nódulos também é outro distúrbio frequente.  Embora mais de 90% dos nódulos da tireoide sejam benignos, a possibilidade de malignidade deve sempre ser descartada. Há casos também de aumento do volume destes nódulos causando sintomas compressivos como tosse, falta de ar e rouquidão.

Quando os nódulos são malignos, toda a tireoide deve ser retirada e, em alguns casos, o paciente deve completar o tratamento com iodo radioativo. Se o nódulo é benigno, o seguimento é feito com ultrassom.

O tratamento do hipotireoidismo é feito pela suplementação dos hormônios da tireoide tanto em mulheres gestantes ou não. Já no caso do hipertireoidismo, o tratamento de escolha é com medicamentos para bloquear a produção dos hormônios da tireoide. E caso não ocorra controle, pode se recorrer a cirurgia.

O tratamento como o iodo radioativo, que destrói algumas células da glândula, reduzindo sua possibilidade de produzir hormônios, não pode ser usado durante a gestação e após o iodo a mulher deve evitar engravidar por 6 meses.

O acompanhamento das gestantes com hiper ou hipotireoidismo deve ser rigoroso, com exames mensais para avaliar a função da tireoide.  O mais importante é a mãe estar atenta ao pré-natal, onde doenças como essa podem ser identificadas com antecedência e facilmente tratadas.

Sobre Dra. Maíra Pontual Brandão:
Dra. Maíra Pontual Brandão é endocrinologista com ênfase em ginecologia endócrina e na assistência a gestante, há 7 anos coordenando a endocrinologia da maternidade Santa Joana. Formou-se pela Universidade Estadual de Pernambuco, fez residência em Endocrinologia no Hospital Brigadeiro e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
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Sobre o Dra. Maíra Pontual Brandão:
Dra. Maíra Pontual Brandão é endocrinologista com ênfase em ginecologia endócrina e na assistência a gestante, há 7 anos coordenando a endocrinologia da maternidade Santa Joana. Formou-se pela Universidade Estadual de Pernambuco, fez residência em Endocrinologia no Hospital Brigadeiro e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
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