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Pesquisas inéditas feitas no DNA de crianças apontam causas que podem justificar o xixi na cama

Por Prof. Dr. Atila Rondon - publicado em 11/06/2018

A enurese noturna, popularmente conhecida como “xixi na cama”, é uma condição que afeta aproximadamente 10% das crianças em torno dos 6 anos de idade. Este problema pode persistir até a adolescência e idade adulta.

Por décadas, o xixi na cama foi considerado uma condição simples que se resolveria espontaneamente. Entretanto, dados mais recentes demonstram tratar-se de um problema complexo, que envolve múltiplos fatores como disfunção da bexiga e aumento indevido da produção de urina à noite. Há ainda outros fatores que podem estar envolvidos no intricado processo, como a redução do tamanho da bexiga e a incapacidade de acordar com o estímulo da bexiga cheia.

A enurese noturna não tem causa psicológica. Por outro lado, as perdas de urina à noite podem afetar seriamente a autoestima da criança e o bem-estar emocional, observando-se queda do rendimento escolar e dificuldade com relações sociais.

Infelizmente, essas consequências para a criança e para a família são muitas vezes subestimadas e banalizadas.

Após os 5 anos é considerada anormal

Após os 5 anos de idade, esta perda de urina durante o sono, é considerada anormal e pode trazer repercussões psicológicas e sociais para a criança. Antes disso, é esperado que logo após o desfralde, que ocorre na maioria dos casos por volta de 2-3 anos de idade, ainda haja um período de adaptação e desenvolvimento neurológico da criança.

Neste momento, episódios de perda de urina à noite são considerados normais e com menor risco de consequências negativas para a criança. Assim, após os 5 anos de idade, a enurese noturna pode e deve ser tratada. O sucesso no tratamento aumenta a capacidade de memória, melhora a qualidade de vida e
reduz os problemas psicológicos da criança e da família.

Hora de agir

Para chamar a atenção para este assunto e trazer essas informações mais recentes para o público e para os profissionais de saúde, acontece anualmente o Dia Mundial Sem Xixi na Cama (29/05). Uma iniciativa lançada em 2015 pela Sociedade Internacional de Continência em Crianças e pela Sociedade Europeia de Urologia Pediátrica. A data foi adotada por várias outras sociedades pelo mundo e pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A Ferring é a empresa biofarmacêutica que
apoia internacionalmente o evento.

Em 2018, foi realizada no dia 29 de maio com o tema “Hora de agir”, reconhecendo que muito mais pode ser feito para diagnosticar e tratar as crianças com enurese noturna.

“O xixi na cama não é culpa de ninguém”

“O xixi na cama não é culpa de ninguém”. Este é um dos lemas da campanha e representa um dos pontos importantes de informação para os responsáveis. A literatura científica mostra números alarmantes de punição verbal e física contra as crianças que sofrem de enurese noturna. A perda de urina ocorre com a criança dormindo, sem que ela tenha nenhum controle sobre isso. A ideia de que a criança é preguiçosa ou “sem vergonha”, como argumentam alguns pais, é absolutamente errada. A punição aumenta a ansiedade da criança, o que tende a piorar o quadro.

A família e os profissionais de saúde precisam conversar sobre o assunto sem vergonha ou culpa. Mas como o impacto sobre a criança e a família é frequentemente banalizado, a ajuda muitas vezes não é oferecida.

É preciso aumentar a atenção para este assunto, como sendo um problema comum que pode e deve ser tratado. O Dia Mundial Sem Xixi na Cama tem também o objetivo de encorajar a família a falar sobre o assunto com o seu médico e ter a ajuda que precisam.

Ajuda do médico

Apesar da maioria das crianças com enurese noturna não apresentarem nenhuma doença no sistema nervoso que controla a bexiga ou na anatomia do trato urinário, essas possibilidades precisam ser afastadas pelo médico. O especialista vai determinar se o xixi na cama é o único problema ou se há outros diagnósticos a serem tratados.xixi

Perdas de urina durante o dia, constipação intestinal ou infecções urinárias podem indicar condições que devem ser tratadas antes da enurese noturna.

Maiores informações podem ser obtidas nesse site, que traz orientações para familiares sobre o diagnóstico e opções de tratamento para a enurese noturna.

Sobre Prof. Dr. Atila Rondon:
Coordenador do Departamento de Uropediatria da Sociedade Brasileira de Urologia. Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pai de Lara e Lia
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Sobre o Prof. Dr. Atila Rondon:
Coordenador do Departamento de Uropediatria da Sociedade Brasileira de Urologia. Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pai de Lara e Lia
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