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Paternidade: A presença faz a diferença

Por Por Karina Lira - publicado em 30/08/2018

Desde o nascimento, os pais têm a grande oportunidade de construir os vínculos, através do amor, com seus filhos. Isso acontece num simples gesto como a troca de fraldas, o consolo nas horas de choro, no ato de alimentar, no brincar, no ouvir, entre outros.

O Dia dos Pais é um período do ano em que essa figura familiar ganha espaço na mídia e nos almoços familiares. Mas é preciso pensar que o sufixo “dade”,  da palavra paterni-dade, indica a qualidade de ser pai. Porém, o que é ser Pai?

Existem muitas maneiras de “ser pai”, não que exista uma forma certa ou errada, apenas formas diferentes. Com isso, consideramos que é melhor referir-nos a “paternidades”.

Bem, seja qual tenha sido a sua história, certamente as memórias positivas que você guardou sobre seu pai não se restringe apenas ao suprimento físico que ele te proporcionava como o alimento e a moradia. O que fica mesmo nas boas lembranças são os momentos ternos de convivência: o afago, o carinho, os cuidados, as brincadeiras, as palavras de encorajamento, os conselhos, as histórias que lhe contava, os passeios juntos e a presença. Esse último elemento “presença” é bastante importante.

CONTEXTO E LEGISLAÇÃO

Para quatro milhões de brasileiros, as memórias afetivas sequer existem, pois não possuem o nome do pai no registro[1].

Com esse cenário, cabe às mulheres assumirem toda a responsabilidade no cuidado e no sustento dos filhos, além das demandas laborais e tarefas domésticas. Tudo isso gera uma dinâmica familiar que impacta negativamente o acompanhamento da vida e do desenvolvimento da criança, especialmente num contexto onde inexistem creches ou outros serviços essenciais da rede de proteção infantil.

Sendo essa realidade tão constate, foi criado o Programa Pai Presente[2], do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desde 2010 facilita o reconhecimento de paternidade no país e já possibilitou mais de 40 mil reconhecimentos espontâneos tardios, geralmente em mutirões realizados em escolas, sem necessidade de advogado e sem custos para o pai ou mãe.

Essas e outras políticas públicas de apoio ao cuidado paterno são muito importantes. Mais recentemente a Lei 13.257 de 8 de março de 2016, também conhecida como Marco Legal da Primeira Infância[3], estabeleceu um conjunto de princípios e diretrizes para políticas públicas voltadas as crianças de 0- 6 anos, dada a importância dos primeiros anos de vida no desenvolvimento infantil e humano.

Dentre todas as modificações propostas, é importante destacar a ampliação da licença paternidade que pode passar de cinco para quinze dias, dependendo do interesse das empresas em cadastrar-se como empresa cidadã no site da receita federal[4].

CONSEQUÊNCIAS/ ASPECTOS POSITIVOS

As crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento que precisam de referências positivas. Ou seja, pessoas significativas que gerem segurança e os amem incondicionalmente, essas serão bases fundantes para toda a vida.

É preciso dedicar o tempo possível para que seja construído um relacionamento inquebrantável, nutrido pela aproximação, constância, confiança, empatia, reciprocidade, simetria e afetividade. Um amor terno entre pais e filhos.

APRENDIZADO

Embora existam poucas iniciativas que desenvolvam as competências para o exercício da paternidade, felizmente há uma geração de homens que tem assumido plenamente esse papel, entretanto, ainda nos falta um ambiente cultural, social e econômico favorável para a terna-paterna-proteção.[5]

Quando tivermos investimento necessário, teremos uma geração de crianças e adolescentes que encontram em seus pais os seus mentores de vida, uma infância marcada pelo acolhimento e acompanhamento, um desenvolvimento pleno. Sigamos acreditando nisso!

[1]Fonte: http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2016/10/quatro-milhoes-de-brasileiros-nao-tem-o-nome-do-pai-no-registro.html
[2] Fonte: http://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/pai-presente
[3] Fonte: http://primeirainfancia.org.br/
[4] http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/isencoes/programa-empresa-cidada/orientacoes
[5] Fonte: Criança com Ternura. Visión Mundial Oficina Regional para América Latina y el Caribe.

Sobre Por Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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Sobre o Por Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

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A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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