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O desafio de criar filhos nos tempos de hoje: precisamos Desacelerar para Renovar

Por Fernando Moraes - publicado em 16/07/2018

Renovar a esperança é antes de qualquer coisa, uma questão de atitude, considerando que o imediatismo deste tempo, tem sido um implacável devorador da visão de futuro. Estar preparado para esse novo mundo onde tudo se tornou uma competição desenfreada, nos condiciona a um grande desafio, que é nos renovar a cada demanda imposta pelo consumo, pelo modismo, e o mais preocupante: pelo ‘ter’, esvaziando notoriamente a importância do ‘ser’.

Cada vez mais, as pessoas estão em busca de sentido, em dar sentindo as suas vidas de alguma forma. Muitos caem na velha ilusão do mundo material, colocando todo o foco de sua existência na procura de saciar desejos de ter isso ou aquilo. Criando uma confusão entre status com identidade, sentido com prazer, solidariedade com reconhecimento e outras inversões que nos aprisiona a um comodismo surreal.

Estamos imersos numa velocidade imposta pelo conceito de modernidade, como se tudo fosse um critério de inclusão, temendo o tempo todo em ficar fora de algo. Essa nova cultura de estar conectado em tudo, nos coloca num estado de alienação sem precedente. Estamos todos acelerados, sufocando até a nossa humanidade, restringindo as emoções, pois parecer fraco já pode ser um sinal de não aceitação, e assim vamos robotizando as relações e limitando a nossa capacidade de esperançar.

Vivemos tempos, onde pais estão criando filhos como experimentos e não para uma infância normal, que quando adultos são frágeis emocionalmente, não lidam bem com a perda, e consequentemente reproduzem esse comportamento para as novas gerações.  Estamos regredindo ao estado hobbesiano, onde todo homem tem direito a tudo, e não reflete em momento algum o e estado de dever. Dever ser, dever aprender, dever respeitar e dever ser solidário.

Criamos o estado de coisas por desacreditar no estado do dever como condição natural para o estado de direito, e aos poucos fomos coisificando tudo a nossa volta, o fatalismo se tornou o discurso mais aceitável, e é exatamente contra esse cenário que temos que fazer o enfrentamento. Desacelerar para renovar, significa estar presente e não esmorecer diante do imobilismo que está o tempo todo a nossa face. Desacelerar para compreender que o mundo não é do mais veloz e nem do mais forte, como diz na bíblia, mas sim daqueles que sabem pra onde estão indo, movimentando-se diariamente, mesmo quando tudo parece nebuloso e não se vitimando pelo estado de coisas.

Ouso dizer, que renovar é o santo graal do mundo moderno, buscar alternativas e caminhos para sair do modismo, dos formatos pré-concebidos, dos jeitos e olhares já conhecidos e se perceber como alguém que é singular, que tem dons, talentos, potenciais para protagonizar dias melhores, não se conformando com o tempo presente e realizando ações para o tempo futuro.

Renovar para transformar, para agir, para garimpar também os descaminhos, conhecendo os limites e respeitando os seus medos. Não acredito nas histórias de superação, acredito nas histórias de ação, daquele que faz acontecer e não se diminui nas comparações com o seu semelhante. Pelo contrário, se motiva e se alimenta da diferença, compreendendo que é esse o combustível para se viver harmoniosamente.

Desacelerar para renovar os preconceitos, na busca do reconhecimento do outro como um igual. Desacelerar para renovar os sentimentos, revisitando o que não nos faz bem, e assim aprendermos a renunciar quando nos sentimos aprisionados. Desacelerar para renovar, quando nos anulamos em função de agradar os outros e assim esquecemos quem somos e o que sentimos.

Desacelerar para renovar, quando a zona de conforto se torna o único mundo possível, nos esvaziando os sonhos, as perspectivas e ceifando a nossa esperança. E tudo isso, por mais que pareça, não se trata de um roteiro de autoajuda, pelo contrário, é um manifesto de inconformismo em tempos de descrença que paira sobre tudo que advém do humano. Como se todos estivessem em outro planeta, analisando uma espécie que já não faz mais parte, se abstendo de toda culpa, vociferando contra o seu igual uma responsabilidade que é de todos.

Desacelerar para renovar a alteridade, se tornar resiliente não só pela dor ou por situações de vulnerabilidade, mas também pelo amor, pelos bons sentimentos que são indiscutivelmente capazes de impulsionar a mudança, fortalecendo o caráter e gerando energia para lidar com o acaso e com o infortúnio, de maneira serena e resolutiva.

Estar em desaceleração num mundo que corre o tempo todo, é determinar que o único tempo que existe é o das pessoas, em seus localismos, suas culturas, suas diferenças e o mais sensacional, ter a certeza que a efemeridade está em tudo e assim mesmo, transcender a finitude para a plenitude de se viver com intensidade a tudo que se propõe.

Desacelerar para renovar o ‘deixar para depois’, o ‘não sou capaz’, o ‘não tenho tempo’ e tantos outros ‘nãos’, sabendo que o tempo é intangível e não respeita calendário, tem seu relógio próprio e se ajusta completamente diferente dos nossos planos, sonhos, desejos e por isso exige que estejamos prontos para o inesperado.

Desacelerar para renovar a visão, estancar o pessimismo, moderar o otimismo e crer que dias melhores são possíveis sim, sem inventar nada de diferente, recuperar o simples que se torna sofisticado pelo sorriso alheio, pelo olhar que acaricia, pelo abraço que silencia e pela sensação de paz em saber que o extraordinário, poderá lhe bater à porta a qualquer momento.


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Sobre Fernando Moraes:
Fernando Moraes é Filósofo, Humanista e Escritor, autor dos livros: A Arte de Pertencer – os invisíveis no novo século, Renovo – o poder de se reinventar, O que te Move? Protagonismo social, uma revolução silenciosa e Um Amor em Movimento – Filosofia do Sentimento.
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Sobre o Fernando Moraes:
Fernando Moraes é Filósofo, Humanista e Escritor, autor dos livros: A Arte de Pertencer – os invisíveis no novo século, Renovo – o poder de se reinventar, O que te Move? Protagonismo social, uma revolução silenciosa e Um Amor em Movimento – Filosofia do Sentimento.
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