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O cuidado infantil baseado na ternura

Por Karina Lira - publicado em 12/12/2018

Toda criança necessita de um ambiente saudável e harmonioso para se desenvolver. Mas, o que vemos são notícias e mais notícias que evidenciam um país marcado pela violência e injustiça. Pode-se dizer que a violência é virulenta, ela está enraizada nas instituições e nas relações humanas, passada de geração em geração, afetando às crianças e os adolescentes em sua saúde, sentido de identidade, vocação e convivência social.

Esse cenário denota uma crise do cuidado.

Uma crise de cuidado que acontece num contexto de iniquidade de gênero, que somado a um modelo econômico capitalista não é favorável ao acompanhamento na vida das crianças. Uma parcela significativa de mulheres mães deste país não tem acesso a uma rede de apoio enquanto elas trabalham em cargas horárias exaustivas.

Acontece, ainda, num contexto global que presencia desafios econômicos e crises civis que, muitas vezes, levam a migração de milhares de famílias com crianças em busca de melhores condições de vida.

Isso tudo tem gerado uma cultura desumanizante no cuidado das nossas crianças.

Mas, como mudar isso? Uma cultura desumanizante de violência reduz à medida que construímos uma nova cultura de ternura e de paz. A palavra Cultura tem em sua raiz o significado de cultivar. Ou seja, toda a cultura é cultivada, é aprendida e compartilhada.

Então, uma cultura de ternura e paz é construída quando ao invés de adotar crenças e atitudes que prejudicam as crianças, nós optamos pelas que as protegem.

Isso significa que para acontecer a revolução da terna proteção à infância precisamos ter condições estruturais favoráveis, mas do ponto de vista pessoal, precisamos desaprender algumas coisas e aprender outras:

  • Aprender a tocar: cultivando um corpo que é capaz de dar e receber ternura.
  • Aprender a ouvir: estabelecendo um dialogo com simetria e empatia.
  • Aprender a sentir: manejando bem as emoções.
  • Aprender a agir: construindo consensos para a coexistência da ternura.

Essa narrativa me leva a um depoimento de uma mãe participante de um projeto desenvolvido pela Visão Mundial chamado Família Cuidadora¹, que dizia assim:

“Sempre tive dificuldade para demonstrar amor e carinho para meus filhos, só tinha coragem quando eles estavam dormindo, porque na infância não tive, e aqui aprendi que é importante demonstrar e hoje já consigo, brinco com eles, dou beijo e digo que os amo”.

Poliana, mãe de criança matriculada na E.M Nabor Othuki.

O cuidado baseado na ternura, nada mais é do que a expressão concreta do direito que todas as crianças têm de serem tratadas com respeito e dignidade.


¹O Programa Família Cuidadora tem em seu objetivo o fortalecimento de vínculos a fim de reduzir ocorrências de violência intrafamiliar. Fonte: World Vision LACRO. Fuerza Insurgente de la ternura. Ana Grellert.

Sobre Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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Sobre o Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

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A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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