compartilhe
São Paulo
+16...+30° C

Meu filho tem sentimentos… ruins

Por Tania Paris - publicado em 22/02/2017

Existem dias nos quais sua criança está “um doce” e outros em que fica irreconhecível? … com a “pá virada”?

Ao observá-la fora da crise, fica claro que estava vivenciando uma emoção forte e desagradável, não é mesmo? Mas na hora é meio que contagioso – se a criança está com raiva, a gente vai ficando com raiva também; se está frustrada, dali a pouquinho sentimos frustração, não pelo mesmo motivo que ela, mas por não dar conta de ajudá-la a reduzir o estresse do momento.

Seu filho tem sentimentos ruins? Que bom! Ele não está alienado, está vivendo. Mas, claro, a maneira como lida com eles pode estar sendo muito dolorida tanto para ele como para você.

Para refletir, ajuda bastante trocar esse nome. Em vez de pensar que é sentimento ruim, vamos chamá-lo de desagradável. Esses sentimentos são protetores – nos ajudam a perceber que algo está nos ameaçando. Para os animais, a percepção de uma ameaça é fundamental para a sobrevivência. Mas para os seres humanos, mais complexos, necessidades menos fundamentais podem ser valorizadas da mesma forma que as necessidades para sobrevivência – ficar sem chocolate pode desencadear a mesma reação de ser privado de alimento. E a forma de manifestar é aprendida, modificável. Se uma grande birra é recompensada com o objeto de desejo, então fazer birra é uma boa estratégia para livrar-se do sentimento que tanto está incomodando.

A base que gera esses comportamentos é um sentimento… desagradável, do qual a criança quer se livrar, porque dói, porque gera sofrimento. Nem sempre esse sentimento está claro ou explícito; às vezes nem a criança sabe o que está sentindo, mas tem um forte impulso para se livrar dele.

O primeiro passo é estabelecer o diálogo na linguagem dos sentimentos. “Você está com raiva? ”; “está irritado? ”; “quer me contar o que deixou você tão triste? ”. Mesmo achando que você já sabe a resposta, é educativo facilitar que seu filho perceba o que está sentido, para que possa lidar com o sentimento. E lidar com o sentimento não é o mesmo que lidar com a situação. Ganhar o chocolate não o prepara para uma série de frustrações que certamente terá de enfrentar ao longo da vida.

Não é fácil, mas a chave é buscar maneiras para atenuar o sentimento e, consequentemente, o sofrimento emocional. Cada criança é única e o que serve para uma não funciona para outra. Fora da crise, seu filho pode e deve ser estimulado a encontrar maneiras de lidar com seus sentimentos. Voltaremos a falar sobre isso.

Sobre Tania Paris:
Presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças, entidade sem fins econômicos que capacita educadores para que desenvolvam habilidades emocionais e sociais de seus alunos, e transformem suas salas de aula em espaços emocionalmente saudáveis. www.asecbrasil.org.br. A Tânia Paris é mãe da Tabata e da Natasha e avó do Victor, Mariana, Arthur e Larissa.
Quer receber mais artigos como esse? Cadastre-se e receba nossas novidades em seu e-mail!
Sobre o Tania Paris:
Presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças, entidade sem fins econômicos que capacita educadores para que desenvolvam habilidades emocionais e sociais de seus alunos, e transformem suas salas de aula em espaços emocionalmente saudáveis. www.asecbrasil.org.br. A Tânia Paris é mãe da Tabata e da Natasha e avó do Victor, Mariana, Arthur e Larissa.
Compartilhar:
Quer falar diretamente com seu público-alvo?
Anuncie aqui!
Nossos canais:
® São Paulo para Crianças é uma marca registrada. Todos os direitos reservados. - desenvolvido por Ideia74
Cadastre-se para ficar por dentro das novidades!