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Infância é assunto nas eleições, sim! Usando as lentes da justiça e empatia na hora de escolher os candidatos e candidatas

Por Por Karina Lira - publicado em 01/10/2018

As crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento. Segundo o IBGE, em 2016, eles totalizaram uma população de 57,6 milhões do país, ou seja, representam mais de 1/4 dos cidadãos brasileiros e não podem ficar de fora do debate neste período eleitoral.

A propósito, a maneira como o (a) candidato (a) aborda a infância em sua campanha diz muito sobre sua percepção de sociedade. O investimento na infância é o que apresenta maiores benefícios sociais e a mais alta taxa de retorno econômico, tanto em termos individuais quanto coletivos para a sociedade. Segundo um estudo muito reconhecido na área de economia, a cada dólar investido na primeira infância, se economiza sete dólares.

Dada à importância desse assunto, muitas organizações tem mobilizado a sociedade sobre esse tema, como a Campanha “Criança é Prioridade”, iniciativa da Rede Primeira Infância, que tem o objetivo de fazer com que esses direitos saiam do papel e tornem-se realidade na vida das crianças e famílias brasileiras, por meio de políticas públicas integradas e intersetoriais, especialmente para as crianças de 0 a 6 anos, o que é bem interessante, pois todas as pessoas podem de alguma maneira participar preenchendo o formulário de inscrição para receber a carta de apresentação e o termo de compromisso, que será assinado pelos candidatos e candidatas ao governo do seu estado.

Mas são tantos candidatos, tantos assuntos que às vezes ficamos confusos e perdidos no meio de tanta informação. Com isso, podemos concentrar nossa atenção em alguns destes aspectos:

#Não podemos perder direitos que foram conquistados

Precisamos partir dos direitos humanos fundamentais que são todos os direitos necessários para uma vida digna para as pessoas. Como eles são universais, todas as pessoas, crianças e adultos, acabam se beneficiando com eles, independente do sexo, raça, cor, língua ou religião.

Sobre os direitos da infância, o Estatuto da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA, é a principal legislação que rege a obrigatoriedade do Estado em protegê-los desde o nascimento. Por isso, é fundamental que essa lei seja não só valorizada, mas que encontre condições reais de ser efetivada seguindo as propostas de programa de governo.

#Proposta eficaz de combate à violência

A violência é assunto central em todo o mundo, temos visto o aumento vertiginoso da morte de jovens negros e de mulheres, sem contar com os permanentes números de crianças vítimas de violência sexual, física e negligência. Trata-se de uma preocupação presente para os atuais governantes, para a sociedade e também para os candidatos desta eleição.

A questão é saber quais têm sido as propostas para reduzir a violência? É mesmo possível combater a violência com mais violência?

Acredito que a violência tem solução, ou melhor, soluções que estão relacionadas à eficácia das instituições do Estado, mas que não perpassam, por exemplo, pelo aumento de oferta de armas.

A fragilidade do Estado em proteger os cidadãos e as crianças não justifica a facilidade na disponibilização de armas de fogo, pelo contrário, o Mapa da Violência 2015 defendeu a importância da lei do desarmamento na redução das mortes com arma de fogo. De acordo com esse mesmo relatório, o estatuto do desarmamento foi responsável por poupar 160.036 vidas.

#Oportunidades iguais para meninas e meninos

Meninas e meninos, mulheres e homens são iguais e portanto dignos das mesmas oportunidades. É fundamental observar se as propostas apresentadas pelos (as) candidatos (as) caminham nessa direção, pois é uma questão de justiça. Sem tratar dessa questão social, dificilmente poderemos avançar e superar os problemas relacionados como a violência doméstica e sexual, gravidez na adolescência e o casamento infantil.

#De olho na redução das desigualdades

A criança não é uma “ilha”, ela sofre diretamente o impacto dos problemas relacionados ao desemprego e a pobreza. Posturas políticas que defendem, por exemplo, o congelamento de gastos com políticas sociais são preocupantes, pois recentemente já vimos notícias do agravamento de problemas sociais como a mortalidade infantil e da fome no nosso país.

A redução das desigualdades sociais e econômicas é uma tarefa primordial para o Brasil. A oferta de ambiente e meios adequados para o desenvolvimento integral da infância constitui uma política necessária, justa e eficaz.

E como as crianças escolheriam os (as) candidatos (as)?

Nós que temos interesse no bem estar da infância, precisamos colocar muita atenção nas promessas de cada candidato (a). Se em algum momento tivermos dúvidas, usemos as lentes da empatia para nos ajudar a elegermos as escolhas como fariam as crianças, que costumam enxergar um mundo mais pacífico e inclusivo, onde o Brasil é cheio de afeto e ninguém é deixado para trás.

Sobre Por Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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Sobre o Por Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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