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É verdade que raiva é uma forma de sofrimento emocional?

Por Tania Paris - publicado em 21/03/2017

Crianças, como adultos, reagem aos acontecimentos da vida sentindo – sentindo prazer, alegria, euforia, raiva, tristeza, frustração, ou uma infinidade de outros sentimentos. Uma parte deles é bem-vinda, a outra gera sofrimento.

Sim, e para usar a raiva, tão emblemática, como exemplo, precisamos ponderar que estar com raiva significa estar em sofrimento emocional. Ela pode ter sido originada por qualquer perda – por ser privado de uma diversão que queria, de um brinquedo que quebrou, da atenção da mamãe que foi “toda” para o irmãozinho. Seja qual for o motivo, justificável ou não, a sensação de perda ocasiona sofrimento e é aí que começam muitas das crises em família.

De um lado, estão a mamãe e o papai, cientes de que a privação é plenamente justificável e necessária. É claro que a criança não pode ter tudo o que quer na hora em que quer.

Do outro lado, está aquele pequeno ser que realmente está sofrendo porque não pode continuar jogando videogame até altas horas da madrugada.

Racionalmente, a razão está com os pais, que nem precisariam discutir o problema com a criança. Emocionalmente, a criança pode estar presa numa armadilha: quanto mais os pais explicam porque é hora de dormir, mais ela se sente perdendo – o jogo, o controle da situação, o afeto dos pais que iniciaram o processo com toda a paciência do mundo e, lá pelas tantas, estão com mais raiva do que ela.

Ops! Voltando ao início: interromper o jogo gera sofrimento. Vamos ao encontro desse sofrimento? Podemos e devemos manifestar que entendemos que ele (a) está sentindo algo muito desagradável e queremos estar juntos para ajudar a fazer essa sensação ruim passar. O que a criança acha que pode ajudar a fazer passar essa sensação?

Observe que oferecer um beijinho atenderia ao seu anseio de acolher a criança – não o dela. Só ela sabe o que ajudaria – a ela – a sentir-se melhor quando acabou de constatar que terá de perder o que quer. E perguntar a ela o que a ajudaria vai dar a ela o aprendizado de inverter o foco: tirar o foco do videogame e colocar em si mesma, no que está sentindo.

O aprendizado de perceber o que está sentindo e buscar maneiras de sentir-se melhor é o b + a = ba da alfabetização emocional. E, claro, todos queremos nossos filhos proficientes em lidar com seu universo interior.

Sobre Tania Paris:
Presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças, entidade sem fins econômicos que capacita educadores para que desenvolvam habilidades emocionais e sociais de seus alunos, e transformem suas salas de aula em espaços emocionalmente saudáveis. www.asecbrasil.org.br. A Tânia Paris é mãe da Tabata e da Natasha e avó do Victor, Mariana, Arthur e Larissa.
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Sobre o Tania Paris:
Presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças, entidade sem fins econômicos que capacita educadores para que desenvolvam habilidades emocionais e sociais de seus alunos, e transformem suas salas de aula em espaços emocionalmente saudáveis. www.asecbrasil.org.br. A Tânia Paris é mãe da Tabata e da Natasha e avó do Victor, Mariana, Arthur e Larissa.
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