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Doença celíaca: intolerância ao glúten costuma surgir nos primeiros anos de vida e pode ser diagnosticada por endoscopia

Por Dr. Edson Ide - publicado em 29/03/2017

A doença celíaca é caracterizada por uma intolerância radical ao glúten e atinge cerca de 1% da população mundial. Apesar de surgir em qualquer fase da vida, normalmente esse tipo de alergia é identificado nos primeiros anos de vida, quando a criança reage com indisposição às vezes severa ao comer pães, biscoitos e massas, em geral, que contêm glúten. Presente no trigo, na aveia, centeio, cevada e no malte, o glúten pode fazer parte da composição, também, de produtos não-ingeríveis, como medicamentos e cosméticos.

Um diagnóstico correto é fundamental para que o paciente possa prestar atenção às composições descritas nas embalagens antes de entrar em contato com essa substância que danifica as vilosidades do intestino delgado e prejudica a absorção dos alimentos.

Depois do exame de sangue, a endoscopia é o principal exame para determinar se uma pessoa tem ou não doença celíaca. Vale ressaltar que não existe idade mínima para a endoscopia. O que existe é a indicação clínica No caso específico da doença celíaca, os sintomas iniciam no primeiro ano, com a introdução do glúten na dieta. Sintomas típicos como diarreia, distensão abdominal, atrofia muscular e déficit ponderal (baixo peso) são indicativos.

O exame de sangue avalia a presença de imunoglobulinas associadas a alergias e, inclusive, pode ser usado para um teste genético. Como esse exame é bastante sensível, mas não oferece diagnóstico conclusivo, o próximo passo é realizar uma endoscopia gastrointestinal – que é considerada padrão-ouro nesses casos.

O exame permite identificar se há inflamação ou mesmo alguma lesão no intestino delgado – um forte sinal de doença celíaca. Alguns médicos costumam solicitar uma pequena biópsia durante a endoscopia, mas depende muito do histórico de saúde do paciente. De todo modo, trata-se de um exame que dura entre 10 e 15 minutos e é minimamente invasivo.

As vilosidades presentes no intestino delgado têm o papel bastante relevante de contribuir para a absorção dos nutrientes dos alimentos que estão sendo digeridos. Quando o paciente tem intolerância ao glúten, normalmente essas vilosidades – que se assemelham a vários dedos – encontram-se achatadas. Sendo assim, o organismo não recebe os nutrientes de forma adequada e essa condição pode favorecer o aparecimento de outras doenças.

Diante da importância desse exame, é fundamental que o paciente tenha uma preparação adequada, que inclui jejum de água e alimentos até seis horas antes da endoscopia. Apesar do jejum, o paciente não deve mudar sua alimentação até obter diagnóstico de doença celíaca. Caso ele suspenda por conta própria o consumo de alimentos que contêm glúten, essa alteração pode influenciar nos resultados, mascarando o problema.

Com o paciente sedado, uma cânula ultrafina é inserida através da boca até alcançar o início do intestino delgado. Além de visualizar todo o trajeto, um instrumento poderá colher amostras para realizar biópsia da parede intestinal. Depois de avaliada por um patologista, a extensão dos danos às vilosidades será determinada. Caso elas estejam lesionadas ou achatadas, é confirmada a presença de doença celíaca.

Sobre Dr. Edson Ide:
Médico endoscopista do CDB Medicina Diagnóstica, em São Paulo – www.cdb.com.br
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Sobre o Dr. Edson Ide:
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