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Dia das Crianças: celebrando e zelando pelo começo da vida

Por Karina Lira - publicado em 04/11/2018

Ser Criança…
De pés descalços, corria e me sentia inteiramente livre naquelas ruas enladeiradas de Olinda, onde morava quando era criança. A brincadeira era tão boa que não sentia fome e nem sede. As horas passavam voando entre o esconde-esconde, queimado e barra-bandeira. Muitos amigos, as gargalhadas
eram de doer à barriga. Todo dia era dia de se divertir, todo dia era dia das crianças.

Porém, infelizmente, para algumas crianças essa é uma realidade bem distante, são meninas e meninos tomados por uma vida de maus tratos, descuido, preconceito, exploração ou violência, a expressão de realidade de direitos negados.

No Brasil, o dia da criança foi instituído por volta de 1923, em outros países se comemora em diferentes datas, mas a maioria deles no dia 20 de novembro por ser o Dia Universal das Crianças, data reconhecida pela Organização das Nações Unidas.

Segundo a legislação nacional, a criança é o cidadão que tem até 12 anos incompletos. Mas o curioso é que essa visão da infância como um período específico da vida é muito recente, nos anos mais remotos as crianças viviam uma vida em comum com os adultos, na verdade eram compreendidos como
um “adulto em miniatura”.

Com o passar do tempo, esse conceito de infância foi sendo construído ao longo da história, da qual passou a ser visto como um período de desenvolvimento, com características e necessidades próprias. Esses avanços foram muito importantes no desdobramento de políticas públicas e também na forma como vemos, educamos e cuidamos das crianças hoje.

Sendo uma mudança tão recente do ponto de vista histórico, ainda é preciso fortalecer a consciência coletiva e esse sentimento de infância. É fundamental zelar pelo começo da vida, pois é nesse período em que as bases da formação física e humana são construídas, reverberando por toda uma vida.

Toda a criança precisa ter a oportunidade de ser criança, de viver a infância. De ser saudável e crescer feliz. Não dá para falar em ser criança feliz, sem falar do brincar.

O Brincar…

Recentemente, a Visão Mundial realizou um levantamento de dados em oito municípios localizados no NE e SE do Brasil, onde a organização desenvolve programas com foco na proteção e educação de crianças e adolescentes, dentre eles as capitais Fortaleza, Recife e Salvador. Foram observados os espaços de lazer disponibilizados aos alunos em 89 escolas onde a organização desenvolve seus projetos em parceria com organizações comunitárias e equipes das escolas.

Além de ter o objetivo de avaliar a existência de um espaço para as crianças brincarem, foram verificadas também as condições em que esses espaços e brinquedos se encontram, bem como se nessas escolas as crianças tinham direito ao recreio. Sim, porque das 89 escolas analisadas, em 5,62% delas não há tempo destinado ao recreio e, entre as escolas que possuem, 4,49% concedem apenas 10 minutos para o recreio de seus alunos. Veja o levantamento completo: https://ter.li/RelatorioVisaoMundial

Dá para imaginar uma criança um turno inteiro numa escola sem poder brincar?

Brincar é um assunto tão sério que é um direito previsto no artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente, contido no capítulo do direito à liberdade que compreende vários aspectos, entre eles: o IV – brincar, praticar esportes e divertir-se.

O brincar é uma atitude existencial, uma atividade estruturante para o desenvolvimento infantil e humano, pois é na brincadeira que a criança aprende valores, aprofunda os laços de amor, expressa sentimentos e emoções.

Por isso, voltamos a um dos primeiros pontos, a necessidade de construir um sentimento de infância que gere na sociedade uma atitude coletiva de proteção, parafraseio aquele ditado de que “É preciso de uma aldeia (sociedade inteira) para proteger uma criança”.

Todos nós podemos ser agentes de proteção para as crianças. Mas, como fazer isso?

  • Escute-as com atenção, dê abertura para que elas se expressem e
    sintam-se compreendidas.
  • Atente-se às necessidades, demandas físicas e afetivas delas.
  • Ofereça informações para que elas consigam entender quando são expostas a uma situação perigosa ou que possa se configurar como abuso sexual.
  • Ao ver ou suspeitar que uma criança está tendo seus direitos violados, ligue para o Conselho Tutelar da sua região.

Celebremos a vida desde o nascer!

Rir, comer, brincar e compartilhar. Tudo junto com elas e eles.

Sobre Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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Sobre o Karina Lira:
Assessora de Proteção à Infância da Visão Mundial Brasil, Bacharel em Enfermagem pela FUNESO, Pós-Graduada em Vigilância sobre Saúde na UPE, Mestre em Saúde Pública pela UFPE e Especialista em Violência contra Crianças e Adolescentes. Experiência na área de Saúde Coletiva, Gestão de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Pesquisas, Coordenação de Curso EAD e Formação de Educadores, atuando principalmente nos temas de Promoção da Saúde, Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, Saúde Materno-Infantil, HIV/Aids, Gravidez na Adolescência e Violências contra Criança e Adolescentes.

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A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 42 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social.
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