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“Lá vem a feminista chata!”

Por Stephanie Almeida - em 11/12/18

Quase sempre que me apresento (ou me apresentam) como feminista ouço a frase: “Mas você não é daquelas chatas não, né?”. Geralmente a pergunta vem de homens, e dependendo do meu humor solto uma risadinha ou respondo “dessas mesmo”. Mas sempre fico chateada quando esse tipo de comentário vem de uma mulher. Claro que, se o feminismo prega a liberdade da mulher, ela é livre também para criticar o movimento e até ser totalmente contra, por mais que seja estranho alguém ser contra algo que luta pelos seus próprios direitos.

O movimento feminista é muito amplo, possui diferentes vertentes, diferentes causas e diferentes maneiras de lutar por elas. E como em qualquer outro grupo composto por muitas pessoas, o movimento possui coisas que agradam alguns, e claro, desagradam outros. Essa pluralidade de pessoas e de ideias às vezes assusta algumas mulheres, e justamente ela que me faz cada dia mais orgulhosa de ser a “feminista chata”.

Uma das coisas que mais me provocou mudanças graças ao feminismo é tirar o pensamento de que outras mulheres são minhas inimigas. Isso não significa que todas são minhas amigas, nem tenho essa simpatia toda para distribuir, mas significa que outras mulheres merecem tanto respeito quanto eu e eu não tenho que competir com elas. E quando digo competir, não me refiro à uma competição saudável, em relação à conquistas profissionais, por exemplo, mas à competição que sempre foi nos ensinada, de que somos mulheres e crescemos para ter um bom casamento, e devemos tomar cuidado com qualquer (insira aqui um palavrão referente à vida sexual de mulheres) que queira “roubar nosso homem”.

Quando você tem em mente que outras mulheres não são suas rivais, é mais fácil olhar uma mulher bonita e pensar que você não precisa ser bonita “como ela”, a beleza de uma não anula a da outra. Também fica mais fácil acabar com os julgamentos desnecessários sobre a vida de outras mulheres, e por consequência, com os julgamentos pesados que temos sobre nós mesmas. Em contrapartida fica mais difícil achar graça em piadas e comentários que diminuem mulheres, não à toa tem gente que acha que feministas são chatas.

Tirar a ideia de que as outras são nossas rivais e, portanto, devemos tratá-las com respeito, nos abre um caminho para conhecer mulheres e histórias de vida incríveis. Algumas muito diferentes da sua e outras muito parecidas, e você percebe que aquela (insira de novo aqui o palavrão) pode ser muito mais parecida com você do que você achava, ou passa por situações muito parecidas com a sua. Porque a outra também pode ter passado por um relacionamento abusivo, porque a outra também pode ter sido assediada ou abusada, a outra também pode estar sofrendo sozinha com as dificuldades da maternidade…

O feminismo é necessário por isso, porque eu, você e outras mulheres passamos por problemas, violências e falta de direitos pelo simples fato de sermos mulheres. Se fossem casos isolados, bastava uma psicóloga ou uma advogada para ajudar, mas são todas. Todas as mulheres já sofreram algo por causa do machismo. Torço, e acredito, que os nossos esforços farão com que as próximas gerações não sofram o que sofremos, e que o feminismo se torne desnecessário. Mas até lá, minha amiga, seguirei sendo chata!

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